7 March 2021
A troca de experiências e a cooperação entre comandos das forças armadas dos países de língua portuguesa são os objetivos principais de um seminário realizado em Lisboa, disse hoje o presidente da Associação de Comandos portuguesa.

Forças especiais de língua portuguesa discutem cooperação

“Este encontro é para as pessoas conversarem, conhecerem-se, trocarem experiências”, declarou à agência Lusa o presidente da Associação de Comandos, José Amaral.

O seminário internacional “O Papel das Forças Especiais nas Forças Armadas dos Países de CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]” decorre entre hoje e quinta-feira, no Instituto de Estudos Superiores Militares, em Lisboa.

O evento, organizado pela Associação de Comandos, está incluído nas comemorações do 50.º Aniversário da Formação das Tropas Comandos e conta com a participação de vários oficiais de forças especiais dos estados-membros da CPLP.

“Há projetos bilaterais e até multilaterais entre os vários exércitos dos países membros CPLP. Por sua vez, há programas específicos que têm a ver com as forças especiais, nomeadamente com os comandos”, referiu.

Segundo José Amaral, os comandos portugueses têm relações de cooperação com várias forças especiais, entre as quais, as de Angola, Moçambique e Timor-Leste.

“A grande novidade disso é que pela primeira vez, pela mão da Associação de Comandos, há o primeiro contacto com o Brasil (no âmbito das forças especiais)”, afirmou Amaral.

“Este seminário é uma primeira experiência. A Associação de Comandos vai sugerir que este seja o primeiro de uma série de eventos deste tipo. Ano a ano, poderá rodar pelos países que aqui estão presentes”, indicou ainda José Amaral.

Para o presidente da Associação de Comandos, é preciso “manter as conversações sobre a cooperação multilateral com vários países membros da CPLP” e existir um sentido de comunidade entre estes estados.

“Para nós, do Brasil, é uma oportunidade ímpar. É importante que dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa possamos participar também na área militar, especificamente de operações especiais”, disse o general de brigada Marco Antônio Freire Gomes, comandante da brigada de forças especiais do exército brasileiro.

O general brasileiro afirmou que é “importantíssimo” que se aprofunde o trabalho de exercícios conjuntos e, especificamente, no campo de operações especiais, “bastante vasto e promissor”.

Para o general brasileiro, “este seminário é um primeiro passo” para a concretização desta cooperação com Portugal e com os demais países da CPLP.

“As forças especiais, no mundo de hoje, são uma realidade necessária, particularmente nas ações humanitárias, nos trabalhos das operações de paz e nas operações para a garantia da lei e da ordem”, disse Freire Gomes, sublinhando que os resultados obtidos com estas forças são sempre “muito positivos”.

No seminário serão debatidos também as diversas realidades nacionais, a conflitualidade e insegurança no século XXI, a atuação das forças especiais nas operações de segurança interna, e o uso da alta tecnologia pelas tropas de elite.

Na abertura do seminário esteve presente o chefe do Estado-Maior do Exército português, Artur Neves Pina Monteiro, outras altas patentes das forças armadas dos países da CPLP e especialistas em assuntos militares.

CSR // HB

Lusa/fim

Foto: LUSA – Elementos da Companhia de Comandos, 6 Fevereiro 2007. NUNO VEIGA/LUSA

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