Em declarações à Lusa, a coordenadora do grupo de investigação “Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal” do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, Celeste Natário, disse que há uma intenção de “construir um outro tipo de relação com o passado”, que permita o estabelecimento de “futuras relações de irmãos com os países de língua portuguesa”.

O congresso internacional “Errâncias de um Imaginário: Para uma História do Pensamento e Culturas de Língua Portuguesa” vai realizar-se no Porto na quarta-feira depois de ter arrancado a 27 de março na Universidade de Sergipe, no Brasil, contando esta semana com a presença – entre muitos outros – do professor emérito do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Adriano Moreira e do antigo reitor da Universidade de Évora Manuel Ferreira Patrício.

Celeste Natário frisou que a “questão maior” em causa é a de tentar contribuir, através da investigação, para “procurar determinar ou ajudar a procurar determinar algo que (…) desmonta aquela ideia daquele discurso passadista, ‘fadista’, da saudade, do que já foi”, uma ideia que considera “extremamente depressiva”.

A investigadora realça não estar em causa “esquecer” o que está para trás, uma vez que “um povo e uma cultura não se afirmam sem uma memória”, mas sim a definição de um diálogo “inacabado” entre culturas que “não são processos estáticos, mas dinâmicos”.

Em relação à questão do passado colonial, Celeste Natário reconhece que é um “peso que existe, mas não inviabiliza” uma relação entre dois países de irmão para irmão.

“A superação disso vai depender de nós, vai depender de Portugal, porque temos tido um papel muito frouxo”, salientou a professora universitária.

O congresso decorre também em parceria com a Universidade de Cabo Verde, instituição que vai acolher novo encontro a 19 e 20 de julho, entre as 09:30 e as 19:30 de quarta-feira.

TDI // JMR – Lusa/fim


Fotos: Reitoria da Universidade do Porto, na Praça Gomes Teixeira, 12 de Outubro de 2007.JOAO ABREU MIRANDA/LUSA

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