Praia, 21 jun (Lusa) – O poeta cabo-verdiano Mário Fonseca e o escritor argentino Jorge Luís Borges são os homenageados da segunda edição do Festival de Literatura-Mundo do Sal, que tem início hoje na ilha cabo-verdiana, onde decorre até domingo.

O festival promovido pela Câmara Municipal do Sal e organizado pela editora Rosa de Porcelana, tem curadoria do escritor português José Luís Peixoto e vai ter uma extensão em Lisboa, durante o mês de setembro.

A iniciativa visa “consolidar a ilha do Sal como centralidade literária em Cabo Verde, inscrevê-la como ilha literária reconhecida internacionalmente e promover a reflexão e o debate sobre o tema da literatura-mundo”.

Além dos escritores cabo-verdianos presentes, participarão cerca de 40 convidados autores da Alemanha, Argentina, Brasil, Portugal e Tailândia.

O festival decorre poucas semanas depois de ter sido atribuído Prémio Camões a Germano Almeida, o segundo escritor cabo-verdiano, depois do poeta Arménio Vieira, a ser distinguido com o maior prémio literário de língua portuguesa.

Por isso, a programação do evento prevê a realização de um tributo aos “Camões de Cabo Verde”, com a presença dos dois escritores.

Mostras de livros, sessões de leitura e conferências completam a programação.

“Literatura-mundo: breve história de uma ideia”, pelo professor Simão Valente, do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa, “As Elites Literárias de Cabo Verde e a sua correspondência com o mundo”, pelo professor Manuel Brito Semedo, da Universidade de Cabo Verde, “Mundos transarquipelágicos da literatura”, pelo professor Ottmar Ette, da Universidade de Postdam, “Viagens da Literatura Cabo-verdiana entre raízes e rizomas” e “Literatura-Mundo para uma Pátria-Mundo”, pela professora Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo, são as palestras previstas.

Entre as participações internacionais destacam-se Isabel Lucas, Júlian Fúks, Mempo Giardinelli, Raquel Porta Lopez, Rodrigo Lacerda e Prabda Yoon. Presentes estarão também o escritor Marco Luchessi, presidente da Academia Brasileira de Letras e a curadora Selma Caetano, do Prémio Oceanos.

O festival será inaugurado pelo Presidente da República e escritor, Jorge Carlos Fonseca.

Será também evocada a morna, género musical de Cabo Verde, candidata a património imaterial mundial da UNESCO.

A programação da extensão do festival a Lisboa, em setembro, será anunciada no encerramento. Na mesma altura serão “lançadas as bases de realização de uma extensão em Ouro Preto, em 2019”.

A programação deste ano assenta em parcerias com a Casa Fernando Pessoa, o Fórum das Letras de Ouro Preto, o Festival Internacional do Interior “Palavras de Fogo”, a Academia Cabo-verdiana de Letras, a Academia Brasileira de Letras e o Prémio Oceanos.

A primeira edição do festival, que decorreu no ano passado, juntou na ilha cabo-verdiana meia centena de escritores, tradutores, jornalistas e investigadores, tendo como homenageados o poeta cabo-verdiano Corsino Fortes e o escritor português José Saramago.

Refletir e debater o alargamento dos cânones literários, dar visibilidade às várias literaturas dos países e inscrever Cabo Verde na rede internacional da Literatura – Mundo são objetivos do encontro, que promove também o diálogo e a interação entre participantes e lançamentos de livros.

A santomense Inocência Mata, os cabo-verdianos Germano Almeida, Arménio Vieira e José Luís Tavares, e o brasileiro Sérgio Rodrigues foram alguns dos escritores presentes na primeira edição do festival.

CFF // MAG
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