O LÍNGUA é um certame dedicado às línguas da terra, onde o teatro comunitário e amador identitário de uma região ou de uma língua ou dialecto tenha palco. O que perdemos quando morre uma língua? A resposta a esta pergunta levou à criação deste festival: a importância do teatro como expressão de resiliência da mesma, porque quando morre uma língua, morre todo um legado outrora transmitido de geração em geração.

Este Festival pretende não só ser uma mostra de teatro, mas também um ponto de encontro multicultural para a discussão dos desafios e problemáticas que o teatro comunitário e amador apresenta neste contexto.

O LÍNGUA vai decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Junho de 2022, no Theatro Gil Vicente e na Biblioteca Municipal, na cidade de Barcelos, e irá abrir com um espectáculo em mirandês, realizado por um grupo de alunos do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, em parceria com o Teatro de Balugas. Esta primeira edição contará ainda com obras teatrais em estremenho (da região espanhola da Estremadura) e em sassarese (da região italiana da Sardenha). O certame terá também debates sobre a importância do teatro como expressão para a salvaguarda e a difusão das línguas minoritárias, focando o trabalho das companhias presentes no seu território, e a apresentação do contexto cultural de cada uma das línguas desta edição, com a presença de linguistas e académicos. Haverá igualmente espaço para formação, com destaque para as oficinas sobre commedia dell’arte e criação em teatro documental.

Fonte: Teatro de Balugas


No fim-de-semana de 10, 11 e 12 de Junho, estarei em Barcelos a ouvir e a conversar sobre línguas minoritárias. Será no Festival LÍNGUA, organizado pelo Teatro de Balugas.

O mapa político do continente engana-nos: viajamos convencidos de que, com uma ou outra excepção, cada país tem uma língua. Nada mais falso. A excepção é precisamente a contrária: só um país tem uma só língua (a Islândia). Em todos os outros países da Europa, há línguas minoritárias tão antigas e tão ricas como os idiomas estatais.

As línguas minoritárias — como todas — são verdadeiras arcas do tesouro de palavras, expressões e modos de ver o mundo. Poucos as conhecemos e raramente as reconhecemos quando as ouvimos. São tesouros escondidos em perigo de se perderem.

O teatro sempre registou a linguagem humana na sua variação social e geográfica. Muitas peças teatrais, ao longo da história, recolheram palavras e expressões que não se encontram facilmente noutros géneros. Esta capacidade que o teatro tem de salvar palavras vê-se em todas as línguas — e, no caso das línguas minoritárias, o teatro tem a capacidade de ajudar a salvar a própria língua.

O Teatro de Balugas organiza o Festival LÍNGUA, uma homenagem a estas línguas maternas que tantos esquecem, mas pulsam nas casas, nas conversas e nos palcos por essa Europa fora — representadas este ano pelo mirandês, pelo estremenho e pelo sassareso. Teremos oportunidade de ouvir estas línguas no palco, mas também de conversar com actores que as falam e especialistas que as estudam.

O festival inclui três peças, sessões de debate, formações e animação. Irei participar nas sessões que decorrerão na Biblioteca Municipal de Barcelos durante o dia 11 de Junho. A entrada para assistir aos debates é gratuita, mas é necessário fazer uma inscrição. O programa completo do festival está nesta página e a página de Facebook está por aqui.

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