Portugal leva mais de uma dezena de filmes à sexta edição do Festival Internacional de Cinema, que decorre em Luanda, Angola, de 15 a 21 deste mês, com a participação de 16 países e a exibição de 150 produções.

O festival inicia-se com a projeção, extra competição, de “O Grande Kilapi”, do realizador angolano Zezé Gamboa, e com um espetáculo musical da banda brasileira de Luiz Melodia, anunciou hoje, em conferência de imprensa, o diretor-geral do Instituto Angolano de Cinema Audiovisual e Multimédia (IACAM), Pedro Ramalhoso.

No FIC Luanda 2013 participam 16 países, seis dos quais de língua oficial portuguesa – nomeadamente Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau – a que se juntam Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Guiné Conacri, Espanha, Noruega, Itália, Estados Unidos da América, Cuba e Israel. São Tomé e Príncipe poderá também vir a reunir-se ao certame.

Portugal concorre com quatro filmes, dos quais se destacam “António Ole”, de Rui Simões, sobre o artista plástico angolano (o filme estreia-se em Luanda, antes da exibição em Lisboa, no Festival Temps d’Images), e “Na escama do dragão”, de Ivo Ferreira, uma coprodução com Macau.

Na mostra infantil somam-se mais três produções portuguesas: o premiado “Kali, o pequeno vampiro”, de Regina Pessoa, “Lágrimas de um palhaço”, de Cláudio Sá, e “Fado do homem crescido”, de Pedro Brito.

Entre os documentários a exibir no Centro Cultural Português, onze são de realizadores portugueses, como Nuno Matos, Pedro Resende, Vitor Santos e Joana Prudêncio.

O Arte Institute de Nova Iorque, dirigido por Ana Miranda, também estende à capital angolana a mostra de curtas-metragens de novos criadores como Leonor Teles, Pedro Marmoto Pereira e Renata Ramos.

O Centro Cultural Português vai receber ainda curtas-metragens produzidas em países que não entram na competição do festival, como Noruega e Israel.

O segundo volume da obra “Angola o Surgimento de uma Nação – o Cinema da Libertação”, um estudo de Jorge António e Maria do Carmo Piçarra sobre a história do cinema angolano, também deverá ser apresentado neste centro.

“A colaboração com o Centro Cultural Português tem vindo a ser benéfica, é outro público que também pode aceder à nossa programação, onde propositadamente – porque os filmes não cabiam na competição – pusemos os filmes da Noruega e Israel”, disse Pedro Ramalhoso.

Segundo o diretor-geral do IACAM, a novidade na sexta edição do FIC é a introdução de uma matiné, com o objetivo de conquistar novos públicos para o cinema.

O responsável destacou ainda a expansão da iniciativa além das salas convencionais, levando uma programação de 40 filmes a comunidades de grande concentração populacional, como Kilamba, Cacuaco, Rangel, Zango, sem esquecer o Centro Cultural Dr. António Agostinho Neto, na província do Bengo, e o Bairro Operário, em Luanda.

“É uma forma de levarmos a informação e o entretenimento e mantermos a população mobilizada para esse festival, a maior manifestação do cinema angolano”, acentuou.

Palestras e oficinas, na área do audiovisual, animadas por especialistas, juntam-se ao programa. Entre estes destaca-se o realizador angolano Dom Pedro, radicado em França, produtor do filme “Tango Negro”, uma investigação sobre as raízes africanas do tango argentino.

A sexta edição do FIC Luanda será ainda marcada pela estreia de nove filmes angolanos, além dos filmes estrangeiros a concurso.

A decisão do júri, para as categorias de melhores longas e curtas-metragens e documentários angolanos e internacionais, será conhecida na próxima sexta-feira, dia 15.

O encerramento, a 21 de novembro, conta com a exibição parcial da coprodução de Angola e da Argentina “Os Deuses da Água”, projeto institucional, que deverá ficar concluído em 2014, a tempo do sétimo FIC Luanda.

NME // MAG – Lusa/Fim


Foto: Tocadores de marimba numa exibição de música tradicional angolana em Lisboa, no decorrer da Quinzena Cultural de Angola, a 7 de setembro de 1987. Cristina Fernandes / Lusa

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