“O festival atingiu as nossas expectativas, tanto em termos de qualidade do trabalho apresentado no Kennedy Center como em termos da extraordinária recepção que teve junto do publico e da imprensa”, explicou a curadora do evento, Alicia Adams, à agência Lusa.

Durante três semanas, o Kennedy Center acolheu uma mostra cultural intitulada “Iberian Suite: Arts Remix Across Continents”, um evento de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha que contou com a participação de artistas da lusofonia e da América Latina.

A mostra, que foi quase inteiramente suportada pela instituição norte-americana e custou seis milhões de dólares, reuniu 600 artistas de 23 países e cinco continentes, incluindo cerca de 100 artistas portugueses.

“Penso que a nossa audiência percebe agora o que ibéria significa”, disse a responsável, sublinhado que “muitos dos artistas portugueses nunca tinham atuado nos EUA e tiveram uma plataforma de valor incalculável para ter o seu trabalho visto e criticado.”

Alguns dos artistas portugueses receberam criticas muito positivas, como foi o caso de Diogo Infante, que se apresentou com a peça “Ode Marítima”, de Álvaro de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, e que o “DC Theater Scene” considerou uma “estrela”.

“Durante 70 minutos sem falhas, [Diogo Infante] move-se entre as fases de deslumbramento juvenil, crise de meia idade e calma e resignação da velhice”, escreveu a publicação especializada.

Também a companhia “Mundo Perfeito” recebeu elogios. O “Washington Post” escreveu que as duas peças apresentadas – “Três dedos abaixo do joelho” e “By Heart” – representavam “uma inteligente, engraçada e revigorante noite de teatro.”

“Espero que muitos destes artistas tenham oportunidade de ser convidados por outras instituições, como normalmente acontece com os festivais do Kennedy Center”, disse a curadora norte-americana.

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, disse à Lusa que “o retorno positivo dos parceiros nos EUA denotam o impacto que esta mostra trouxe para os artistas e criadores envolvidos, muitos dos quais aproveitaram a presença em Washington para se apresentarem, alguns pela primeira vez, noutras cidades dos EUA.”

 

 

“O Festival garantiu, por isso, não só um reforço do perfil de Portugal nos EUA, mas também um abrir de portas para outras oportunidades de visibilidade”, explicou o responsável.

Barreto Xavier falava, por exemplo, de artistas como Carminho e Camané, que fizeram pequenas digressões no país aproveitando a deslocação a Washington.

O secretário de Estado diz que Portugal “tem dedicado uma particular atenção à internacionalização dos artistas e criadores portugueses, criando oportunidades para a sua presença em eventos culturais de relevância internacional” e lembra que nos últimos três anos foram investidos mais de 1, 6 milhões de euros em internacionalização através de concursos da Direção Geral das Artes, “que levaram 140 companhias e artistas a dezenas de países.”

A presidente do Arte Institute, a organização que apoiou a ida de vários artistas plásticos e músicos até Washington, diz que este festival “deu uma imagem moderna de um Portugal criativo, que arrisca e que consegue conjugar o tradicional com o moderno sem perder identidade.”

“Acho que se conseguiu dar, acima de tudo, uma cara à marca Portugal”, explica Ana Ventura Miranda.

Entre as oportunidades que surgiram para os artistas presentes, Miranda diz que o eléctrico em cortiça “Prazeres 28”, autoria de Nuno Vasa, será agora mostrado em vários estados norte-americanos e que a artista Manuela Pimentel ficou com parte do seu trabalho numa coleção privada.

“O facto dos artistas portugueses, bem como a pedra portuguesa da Solancis [presente na instalação dos arquitetos Eduardo Souto de Moura e Álvaro Siza Viera] e a cortiça da Sofalca, estarem presentes nos dois halls do Kennedy Center, por onde todos os visitantes passam, foi a grande oportunidade para mostrar o trabalho dos artistas e das marcas nacionais”, disse a diretora do Arte Institute.

No início do festival, o Kennedy Center esperava mobilizar entre 200 mil e 400 mil visitantes e espectadores, chegando a mais de um milhão de pessoas através de plataformas “online” e ações de formação junto das escolas.

Apesar de ainda não existirem números definitivos, a organização disse à Lusa que a exposição de cerâmicas de Pablo Picasso, que era considerada uma das peças centrais do evento, teve mais de 15 mil visitantes.

 

AYS // MAG – Lusa/Fim

Fotos:

– Festival “Iberian Suite: global arts remix”, uma mostra de criação contemporânea de Portugal e Espanha na área das Artes Performativas. The John F. Kennedy Center for the Performing Arts em Washington JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

– Novos artistas portugueses estão a conquistar Washington

Viagem inaugural de um dos dois novos elétricos turísticos completamente remodelados a cortiça, Lisboa, 24 de março de 2015. A ação decorre no âmbito do projeto Eletri’Cork, que uniu a Carristur, a Sofalca e a Pelcor, estando igualmente associado à instalação artística “Prazeres 28”, que tem integrado a exposição “Iberian Suite Festival 2015”, a decorrer no Kennedy Center, nos Estados Unidos. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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