“A companhia Comuna [fundada por João Mota] existe há mais de 40 anos e já levou o teatro da língua portuguesa para o mundo inteiro”, destacou à Lusa a criadora e responsável do Festlip, Tânia Pires, a explicar o porquê da escolha.

O ator e encenador português, visto ainda como grande colaborador do teatro angolano, onde lecionou aulas de dramaturgia, atual diretor do Teatro Nacional D.ª Maria II, receberá a homenagem durante a abertura do festival, na noite desta quarta-feira, em cerimônia limitada a convidados, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

A edição deste ano inclui 30 apresentações, de onze espetáculos, todos produzidos originalmente em língua portuguesa, sendo quatro de Portugal, dois de Angola, três do Brasil, um de Moçambique e um de Cabo Verde.

As encenações acontecerão em seis teatros distintos e incluem, pela primeira vez, uma peça infantil, “O Príncipe Feliz”, da Companhia Magia e Fantasia, de Portugal, que será levada a crianças carenciadas, com uma apresentação no Morro de São Carlos, favela localizada no bairro do Estácio, na zona norte do Rio de Janeiro.

“Estar dentro das comunidades é um passo muito importante que o festival está dando e que a gente já queria dar há muito tempo”, explica Tânia Pires, a recordar que outras comunidades receberão ainda uma peça moçambicana e uma oficina de percussão.

Para a organizadora, a apresentação deverá gerar um “desdobramento grande” entre essas pessoas, muitas das quais terão contato, pela primeira vez, com a sua própria língua falada com outro “sotaque”.

“Elas terão contato pela primeira vez com um teatro português, que é outra forma de falar a língua delas, não tenho dúvidas de que irá gerar uma transformação para elas”, completa.

A festa, que acontece nos próximos dez dias, até 05 de setembro, inclui ainda exposições, concertos – com direito a um “duelo” de DJ de Angola, Brasil e Portugal com versões de kuduro, música popular brasileira (MPB) e fado.

O circuito “off-peças” oferece ainda uma mostra “gourmet”, com pratos típicos da cultura lusófona, preparados pelo “chef” do restaurante Zazá Bistrô.

A festa promoverá ainda o lançamento de um sítio na internet dedicado à dramaturgia lusófona, inicialmente com textos de autores de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.

“Os textos disponíveis na internet vão permitir que os encenadores entrem em contato com outras visões e estéticas, enriquecendo a dramaturgia local com essa troca, além da possibilidade de levar peças para montagem em outros países”, observa a organizadora.

Em 2013, o Festlip realizou 20 apresentações de sete peças, reunindo um público de 8.500 pessoas.

FYRO // MAG – Lusa/Fim

Foto: João Mota, Diretor do Teatro Nacional D. Maria II, 09 de fevereiro de 2012 em Lisboa. ANTONIO COTRIM/LUSA

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