Trata-se do Festival do Rio, evento na capital carioca, que exibe cerca de 380 filmes até o dia 10 de outubro em dezenas de cinemas espalhados pela cidade.

Além das produções nacionais, o público confere filmes de outros 60 países, incluindo os de língua portuguesa.

Entre as opções, está o luso-brasileiro “Boteco”, um documentário de Ivan Dias, que conta a história da imigração portuguesa no Brasil através de um passeio pelos mais tradicionais botequins cariocas.

Uma produção de Portugal e Angola é o também documentário “I Love Kuduro”, de Mario Patrocínio. Ele disseca o kuduro,  gênero musical com beats pesados, graves distorcidos, letras pesadas e sensualidade que se esfrega na cara do ouvinte.

Outra produção conjunta com um país africano de língua portuguesa é “A Batalha de Tabatô”. Compartilhado entre Portugal e Guiné-Bissau, o filme trata das tentativas de Baio de exorcizar suas lembranças da guerra de independência, com a ajuda de tambores e marimbas, quando ele volta a aldeia mítica de Tabatô.

Já a ficção de Vicente Ferraz, “A Estrada 47”, teve sua produção partilhada por três países: Brasil, Portugal e Itália. O longa-metragem se passa na 2ª Guerra Mundial e trata da tentativa de militares brasileiros de desarmar o campo minado mais temido da Itália. Para isso, vão contar com a ajuda de um italiano arrependido e um alemão cansado da guerra. Ler o artigo completo.

 

Documentário “I Love Kuduro” com estreia mundial no Festival de Cinema do Rio de Janeiro


O segundo filme do realizador português Mário Patrocínio, “I Love Kuduro”, que conta a história do estilo musical e cultural surgido em Angola, terá sua estreia mundial nesta segunda-feira, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro.

O realizador, autor também de “Complexo: Universo Paralelo”, documentário filmado em favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, conta que o interesse sobre o estilo cultural africano surgiu ainda durante os tempos de faculdade, nos anos 1990, quando costumava frequentar discotecas com música africana, em Lisboa.

“Tendo alguns amigos angolanos, acabava a frequentar lugares com música africana e surgia sempre aquela curiosidade, de onde vem toda essa alegria, toda essa música, e quem são essas pessoas que fazem [esse som]?”, costuma questionar-se então.

Foram necessários mais alguns anos até que o artista angolano Coréon Dú cruzasse o caminho de Patrocínio “com a mesma paixão de querer contar essa história” para que o projeto começasse a ganhar forma, conta o próprio realizador.

“Queríamos descobrir o que aquele movimento estava representando para a juventude angolana, mostrar ao mundo toda aquela cor, aquela mistura daquilo que é contemporâneo com o tradicional”, recorda.

A história, contada por dez personagens relacionados ao movimento, levou cerca de seis meses de filmagem, feitas em um espaço de dois anos, além de uma fase de pesquisa prévia no qual buscaram as pessoas que iriam compor o enredo.

Entre os escolhidos estão figuras como Hochi Fu, principal ‘manager’ e produtor do Kuduro em Angola, que regressou ao país após anos de estudo na Europa; Tony Amado, considerado o responsável por dar o nome ao movimento; e Titica, a primeira transexual de Angola.

A ideia de lançar o documentário durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro – o maior certame deste tipo na América Latina – ocorreu naturalmente, segundo Patrocínio, após a experiência e os contatos com a exibição, em 2010, de seu primeiro documentário, “Complexo: Universo Paralelo”.

“É um parceiro natural porque amo o Brasil, não é somente por ser um grande mercado. Acredito que o Brasil faz parte desse triângulo Brasil-Angola-Portugal, que estamos tentando conectar”, ressalta.

O projeto foi realizado em parceria entre a produtora portuguesa BRO, fundada por Mário e seu irmão Pedro Patrocínio, e a angolana Da Banda.

Em conversa com a Lusa, Patrocínio revelou ainda que já esteve a visitar o Complexo do Alemão, cenário de seu primeiro filme, que à época das filmagens era tido como uma das áreas mais perigosas do Rio de Janeiro, inteiramente dominado pelo tráfico de drogas.

Três anos após a “pacificação”, como o Governo do Rio de Janeiro se refere à operação policial que ocupou o local, em novembro de 2010, o realizador admite pensar em uma continuação da obra, para mostrar a mudança “gigantesca” que pode observar no local.

“Foi uma mudança gigantesca, confesso que um dos nossos sonhos era um Complexo: Universo Paralelo II, mas é preciso dar mais tempo para a comunidade absorver essa nova realidade e ver se tudo o que está sendo investido ali vai realmente dar resultados na vida das pessoas”, observa.

O Festival de Cinema do Rio de Janeiro acontece até 10 de outubro, com a exibição de 380 filmes, de mais de 60 países.

 

FYRO // JCS – Lusa/fim

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