3 de Dezembro, 2016 – Jornal de Angola

Por não ter o hábito de acusar as pessoas ou instituições sobre determinados assuntos sem poder provar, não posso dizer se a culpa pelo mau uso da língua portuguesa pela juventude, nos dias de hoje, é das instituições de ensino ou dos próprios jovens, que lêem muito pouco.

Mas, o que é certo e posso afirmá-lo sem medo de errar, é que a juventude está a maltratar, publicamente e sem piedade, a língua de Camões. Se por um lado, a invenção do Facebook chegou em boa hora, na medida em que muitas pessoas conseguem partilhar momentos marcantes das suas vidas, opiniões sobre os mais variados assuntos que vão dominando a política nacional e internacional, bem como trocar mensagens, por outro lado o Facebook surgiu também para “destapar” a forma como a língua portuguesa é tratada pelas pessoas. E os resultados são de todo lamentáveis. Todos os dias há o registo de “crimes hediondos” no Facebook praticados contra a língua portuguesa.
Por ser um usuário frequente dessa rede social, sou obrigado, todos os dias, a ver, com muita angústia, erros crassos de português cometidos, na sua maioria, por jovens que até já frequentam universidades. “Não tem nada haver”, “Via expresso”, “Embora eu falo”, “Há quem diz”, “Graças à Deus”, “Cajú”, “Salú”, “Gugú”, “Seje”, “Esteje”, só para citar estes, são frequentes em textos de muitos jovens no Facebook. E o mais grave é que os autores desses “crimes linguísticos” não desconfiam sequer que os cometem. A inocência é tão acentuada que chegam a fazer desses erros uma norma.
Como disse no início, não sei ao certo de quem é a culpa, mas seja como for é urgente que se faça alguma coisa. As instituições de ensino devem ser mais rigorosas em relação ao ensino do português. Não devem permitir que um estudante dispense a cadeira de Língua Portuguesa quando ainda dá erros graves. Só deve permitir que esse estudante dispense a cadeira de Português caso dê fortes provas de que vai ser um bom embaixador dessa língua em vários lugares.
Quanto aos jovens, sugiro que leiam mais, apliquem-se mais na disciplina de Português e esforcem-se ao máximo para apreenderem as regras que regem este idioma. E isso só será possível se tiverem em casa uma gramática, um prontuário e um dicionário completo. A juventude, às vezes, queixa-se da falta de emprego. Que não são admitidos nos concursos públicos. Mas, mais do que reclamar, deviam saber se este conflito com a língua não tem sido uma das razões que faz com que não sejam admitidos nos testes. Quem escreve mal, fica marcado. É visto como um indivíduo sem preparação e que não frequentou a escola. Não lhe é dada oportunidade alguma que implique falar e escrever. Nos dias de hoje, já há empresas que recorrem ao Facebook para ver como escreve um candidato que pretendem admitir. Ao verem esses erros de português, não aceitam admitir, por mais bonito, cheiroso e bem apresentado que se esteja. Por isso, aos jovens, peço que evitem dar esses erros de português assim publicamente.

Elika Tchissola | Luanda
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