26 February 2021
Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões, IP. 17 de julho de 2012. ANTÓNIO SILVA/LUSA

Existem “percursos conjuntos” entre a promoção do português e do espanhol

Lisboa, 19 mai (Lusa) — Ana Paula Laborinho falava à agência Lusa à margem do fórum “A economia das línguas portuguesa e espanhola”, que decorreu no Instituto Camões, em Lisboa.

“Cultura e economia devem estar interligadas”, realçou a responsável, assegurando que “as empresas têm já uma consciência muito aguda da importância que este ativo [a língua] representa”.

Ana Paula Laborinho exemplificou com os empresários presentes no fórum de hoje, que assinalaram que as suas estratégias “assentam no valor” da língua e que “muita da internacionalização é concebida em função das línguas portuguesa e espanhola” e das suas “afinidades”, até porque os dois idiomas “têm a facilidade de se poderem compreender mutuamente”.

Os próximos passos, defende, devem passar por uma aposta nas “indústrias da língua”, nomeadamente na formação de tradutores e intérpretes, já que os empresários referiram “a dificuldade” de se fazerem entender quando vão fazer negócios a países terceiros. O “mercado de ensino das línguas” e a exploração do potencial da Internet devem ser outras prioridades.

Já antes, a ex-ministra da Educação e atual presidente da FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento), Maria de Lurdes Rodrigues, que moderou um dos painéis do fórum, tinha sublinhado a necessidade de definir prioridades, porque os “recursos são escassos e limitados”.

Se fosse ela a escolher, adiantou, apostaria no sistema de ensino em português no estrangeiro, sobretudo nos países de língua oficial portuguesa, mas onde o português não é a língua mais falada entre a população.

Sublinhando que já existem “percursos conjuntos” entre a promoção do português e do espanhol, Ana Paula Laborinho apontou, por outro lado, que “cada uma das línguas tem também a sua própria estratégia”.

Hoje, “há uma maior proximidade entre o Instituto Camões e o Instituto Cervantes no sentido de acompanharem o desenvolvimento económico das duas línguas”, mas as formas de cooperação ainda podem aumentar, reconheceu.

Também à margem do fórum, em que foi moderador, o presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, José Ribeiro e Castro (CDS-PP), sublinhou que “é preciso fazer muito mais” e que ainda subsiste “um grau de inconsciência em muitos políticos” sobre a importância da língua e cultura portuguesas. Já os empresários, contrapôs, têm demonstrado “uma nova atitude” na utilização deste ativo.

A “grande fraqueza” é, portanto, “política”, na opinião do deputado do CDS-PP, que recordou como exemplo o afastamento do espanhol e do português como línguas do sistema de patentes europeu.

“O governo espanhol continua a bater-se contra a exclusão, já o governo português e a maioria parlamentar PS-PSD entregaram os pontos”, criticou.

“A língua é como um sistema linfático, chega a todo o lado. Está ou deixa de estar em todo o lado. Podemos ganhar muito ou perder tudo”, frisou.

SBR. – Lusa/fim

FONTE: Sic Notícias

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