Maputo, 26 set (Lusa) – Um grupo de estudantes da Universidade Eduardo Mondlane criou um projeto designado “Teatro em Casa”, uma iniciativa que visa levar “o teatro ao povo”, desenvolvendo o gosto pelas artes cénicas nos subúrbios da capital moçambicana.

“A ideia é levar o teatro ao povo”, disse à Lusa Assane Alberto Cassimo, coordenador geral do projeto e estudante do quarto ano de Teatro na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, acrescentando que a iniciativa vai servir para a descoberta de novos atores nos bairros periféricos de Maputo.

As peças teatrais são apresentadas em residências, cedidas voluntariamente pelos próprios atores e pelo público e, num período de um ano, espera-se que mais de 20 grupos atuem em pelo menos 15 bairros dos subúrbios da capital moçambicana.

“Nós queremos desmistificar a ideia de que o teatro é para a elite”, observou o jovem ator, lembrando que todos os meios usados no projeto, até ao momento, são dos próprios autores da iniciativa.

Apesar do gradual surgimento de formados, o teatro em Moçambique ainda é, de certo modo, uma área marginalizada e a falta de políticas de incentivo à arte é, por muitas vezes, apontada como um dos principais desafios.

Com o projeto “Teatro em Casa”, a ideia é evitar aquilo que Assane Alberto Cassimo chamou de “bipolarização da arte”, na medida em que, por exemplo, na capital moçambicana apenas existem duas salas destinadas exclusivamente ao teatro e que estão localizadas no centro da cidade.

“Os grupos teatrais chegam a pagar mais de 40 mil meticais (464 euros) pelo espaço de uma das poucas casas que existem e, infelizmente, este é um valor que nós não temos”, levantou Assane Alberto Cassimo.

Também o jovem ator Salvado Mabjaia, estudante do quarto ano do curso de teatro e cofundador do projeto, entende que o país atravessa um momento em que as artes cénicas são fortemente desvalorizadas, considerando que Moçambique precisa de políticas que incentivem o surgimento de novos atores.

“Esta é a missão do projeto ´Teatro em Casa´, mudar essa mentalidade”, declarou o jovem ator, acrescentando que o Governo moçambicano deve priorizar políticas de incentivo à arte e uma das formas é a abertura de mais casas por todo país.

“Está a faltar cultura em Moçambique”, concluiu o estudante, que espera mudar este paradigma “levando o teatro ao ´gueto´ com um projeto ambicioso” em “tempos de crise de boas iniciativas artísticas”.

EYAC // VM – Lusa/Fim
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