Lisboa, 27 mai 2019 (Lusa) – A Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) está a desenvolver neste ano um projeto pedagógico bilingue em escolas em zonas fronteiriças, um primeiro passo para a integração curricular do português.

O projeto, denominado Escolas Bilingues, está a ser trabalhado em regiões de fronteira entre Espanha e Portugal, assim como entre Brasil e os países vizinhos de língua espanhola, nomeadamente Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Colômbia e Peru.

“Escolas Bilingues responde a práticas que já existem em regiões de fronteira, em particular no Brasil, nas chamadas fronteiras secas em que os habitantes se movem quotidianamente entre países. Está previsto o envolvimento de 30 escolas que trabalharão com currículos comuns, sendo de sublinhar que, nas regiões de tripla fronteira ,como é o caso do Brasil, Argentina e Paraguai e do Brasil, Peru e Bolívia, em vez de duas escolas com currículos comuns e trabalho interativo de professores, teremos três escolas, o que reforçará o mútuo conhecimento e a interculturalidade”, referiu Ana Paula Laborinho, diretora da OEI Portugal.

No caso de Portugal e Espanha, o projeto conta com a participação ativa do ministério da Educação e do Instituto Camões, além de regiões autonómicas espanholas como Castela e Leão ou a Extremadura.

“Existe já uma prática de ensino das línguas portuguesa e espanhola dos dois lados da fronteira, mas o projeto é mais ambicioso porque pretende desenvolver competências interculturais”, sublinhou, acrescentando que “tem existido um forte empenho da parte portuguesa para encontrar o enquadramento que permita a sua concretização”-

O projeto insere-se no Programa 2019-2020 da OEI, aprovado pelos ministros da Educação do Estados Membros, em setembro de 2018, na Guatemala, e prevê também a constituição de Bibliotecas Escolas bilingues nas escolas de fronteira.

O projeto da OEI inclui pela primeira vez um Programa Ibero-americano de Difusão da Língua Portuguesa (PIDLP), proposta do novo secretário-geral da organização, Mariano Jabonero, que “foi bem acolhida” por todos os estados-membros.

“Apesar de ser uma organização que tem o espanhol e o português como línguas oficiais, pode-se dizer que, até agora, havia dominado o espanhol e não era reconhecido que um terço da região ibero-americana é de língua portuguesa. O PIALD tem vários eixos, começando pela produção de materiais e documentos técnicos bilingues no âmbito da OEI, o que não acontecia. Além das escolas bilingues de fronteira e da realização, em novembro próximo, da Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE2019), aqui em Lisboa, pretende também contribuir para uma maior integração curricular do português, em linha com os objetivos traçados pelo Instituto Camões”, frisou.

Ana Paula Laborinho observou a necessidade de uma avaliação profunda, pelo que vai ser lançado um inquérito com o apoio da rede de escritórios da OEI “para conhecer melhor os sistemas de ensino da região e estudar as possibilidades de integração curricular

No âmbito do PIALD, a OEI pretende ainda “a produção de materiais e documentos técnicos bilingues, com impacto na comunicação e redes sociais de uma vasta região”, o “desenvolvimento profissional de professores, em particular nas competências de português e espanhol” e a “colaboração no desenvolvimento de um modelo de certificação internacional do português”.

Outro dos eixos será a organização regular de Conferência Internacional sobre Português e Espanhol da OEI, que, no ano passado, foi admitida como Observador Associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Este estatuto permite um envolvimento da OEI “em alguns programas, sobretudo nos PALOP, promovendo assim a cooperação Sul-Sul”.

JOP // PJA – Lusa/Fim
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