Pois é nela que pode estar uma das grandes saídas para a crise. Aproveitando a prata da casa. Melhor: o ouro. «O Potencial Económico da Língua Portuguesa», livro que será apresentado esta quarta-feira, em Lisboa, vem abrir o cofre. 
«Esta é a hora do português. Estão criadas todas as condições para tornarmos isto um fenómeno global», disse à Agência Financeira o reitor do ISCTE, Luís Reto, coordenador do livro.
Há que ter em conta dois ângulos neste processo de colocar a língua na rota da economia: um é pela via da comunidade lusófona; o outro é o valor criado para fora, para uma economia em rede.
«É como nos telemóveis, quanto mais utilizadores, mais rede têm, mais benefícios», explica o reitor do ISCTE. Existem outros, fora da CPLP, «que querem transacionar com esta comunidade linguística». É o caso da China, onde há já «um grande pedido para professores de português». Esse país «já forma chineses para ensinar português». Não admira: os chineses têm «interesses muito grandes» no Brasil e em África.Precisam de gente que domine o idioma», constata Luís Reto.
Internamente, o potencial também é imenso. «O facto de pertencermos a uma comunidade alargada de falantes facilita uma série de mecanismos económicos. Os economistas comparam as diferenças entre línguas como um imposto a mais que se paga». Entre falantes de língua portuguesa, os negócios, os investimentos, não têm essa barreira. E já somos muitos a falar português.
Basta olhar para o crescimento económico de países como o Brasil, Moçambique ou Angola. «Isto é um fenómeno relativamente recente». É recente, mas lá fora já se cheira este potencial. Exemplo disso a revista Monocle, que dedicou a edição de outubro à «Geração Lusofonia».
É preciso «encarar a língua como um produto». Literalmente. «Fez mais a Monocle sobre esta notoriedade da língua do que nós e a CPLP fizemos». Torna-se crucial, adverte, uma «política de grande cooperação», porque «a todos interessa que a afirmação da língua seja global». Ronaldo, Mourinho, Cateano Veloso, Lula da Silva, Pepetela podiam ser embaixadores, agregadores, deste trunfo, exemplifica.
E, depois, Portugal «não pode olhar para isto como se fôssemos esmagados» pelo Brasil. «Temos coisas mais avançadas do que eles e vice-versa. Vendemos muito mais serviços para o Brasil do que eles para nós», por exemplo. O que importa aqui é «identificar bem a potencialidades desta comunidade como um todo. Não é só a grandeza dos países que vai determinar quem ganha e quem perde».  Ler o artigo completo.

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