O português poderia ser a segunda língua para os turistas estrangeiros, pelo potencial do Brasil nesse mercado, asseguraram na segunda-feira vários especialistas em São Paulo.

A ideia foi defendida na segunda-feira durante a quarta edição do Congresso de Turismo Idiomático, realizado pela primeira vez no país sul-americano.

“Precisamos de olhar para países como Inglaterra, Espanha, França e Argentina, que reconhecem o poder económico da sua língua”, afirmou Florissi durante o encontro, que decorre até quarta-feira na universidade Fundação Armando Álvares Penteado de São Paulo.

Neste sentido, a professora afirmou que o crescimento do Brasil como lugar para estudar português é gradual e sustentou que cada vez mais é necessário especializar os professores que ensinam a língua nacional como um idioma de “orgulho e herança”.

Entre os temas principais do congresso, constou o crescimento do mercado de intercâmbio cultural através do português e do espanhol, considerados potenciais segundas línguas para os estrangeiros, bem como a apresentação de instrumentos didáticos de ensino dos dois idiomas.

O presidente da Brazilian Educational and Language Travel Association (BELTA), Carlos Robles, lembrou que o turismo idiomático no Brasil cresceu após o português ter sido considerado pelo Ministério do Turismo local como uma língua que promove o setor no país.

“Este congresso é um marco para o Brasil, pois podemos discutir a união do turismo de idiomas e o ensino de línguas com vista a expandir ainda mais o português como uma língua para lá da América Latina. Consideramos o português e o espanhol línguas mundiais”, considerou.

Outros programas também fortaleceram o intercâmbio entre visitantes brasileiros no exterior e visitantes estrangeiros no Brasil, como o Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal brasileiro, para promover o intercâmbio estudantil académico.

“Ações dos órgãos públicos e privados devem ajudar a valorizar os idiomas português e espanhol como recursos turísticos, económicos e culturais, com vista à afirmação de um espaço latino-americano”, sustentou o presidente da Associação de Centros de Idiomas da Argentina, Marcelo Garcia, para quem o principal foco do congresso é o “desenvolvimento da indústria da língua e da cultura”.

A diretora de relaciones internacional de Fundação Armando Álvares Penteado, Lourdes Zilberberg, disse por seu lado que “o mundo precisa de cidadãos globais” e o intercâmbio de idiomas permite o intercâmbio de culturas e a manutenção dos aspetos regionais de cada país.

“Estamos a viver nos nossos países uma carência de lideranças e precisamos de nações irmãs para a internacionalização, por isso o turismo de idiomas é um segmento de encontro de culturas e as escolas devem reforçar programas desse tipo”, defendeu.

O congresso, que se prolonga hoje, aborda temas sobre expansão das fronteiras idiomáticas, intercâmbio cultural, mobilidade estudantil e o fortalecimento económico através da língua.

AH/HB // HB – Lusa/fim

 

Foto: Após décadas de declínio, as fazendas históricas que viveram o auge do ciclo do café no século XIX, no estado do Rio de Janeiro, resistiram ao tempo e hoje destacam-se como grandes pólos de atração para o turismo cultural. A Fazenda Florença pertencia à família Teixeira Leite, de origem portuguesa, atualmente oferece 35 quartos e já foi palco de gravações para telenovelas famosas da Rede Globo, como “Escrava Isaura”, em 1976, ou “Sinhá Moça”, 23 de junho de 2011, Rio de Janeiro. FABÍOLA ORTIZ/LUSA

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