Orador no painel “Lusofonia – Sonhos e Realidade” da conferência que hoje assinala os 40 anos do semanário Expresso, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Ramos-Horta considerou que “o grande desafio” da lusofonia é “criar meios de comunicação que tornem as realidades dos vários países” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) “tão interessantes” que os jovens se sintam atraídos por saber mais sobre os parceiros lusófonos.

Na ausência de “génio” e “criatividade”, a CPLP continuará a ser “uma coisa abstrata para a maioria das pessoas”, antecipou.

O português “poderia ser muito mais popular em Timor-Leste se houvesse ou uma televisão da CPLP” ou “uma televisão portuguesa mais criativa”, exemplificou.

Distinguindo a RTP que se vê em Portugal, “que não fica a dever” a qualquer outra televisão estrangeira, da RTP que se vê em Timor, que só a sua mãe, de quase 90 anos, está “interessada em ver”, por causa de “um tal senhor Baião”, Ramos-Horta questionou a assistência: “A CPLP não pode fazer algo igual à Al-Jazeera [televisão do Qatar que emite para o mundo inteiro]?”

Realçando que as crianças timorenses aprendem inglês através da televisão, insistiu que este meio de comunicação é importante para “tornar a CPLP em algo que os jovens vivem e sentem no dia-a-dia”.

O Prémio Nobel da Paz e recém-nomeado representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau confessou ainda que não vê “grande utilidade” em certas reuniões organizadas no âmbito da CPLP, que “parece estar a copiar modelos de organizações regionais”, quando não o é.

“Criam-se e multiplicam-se grupos, comissões, reuniões ministeriais dos mais variados…”, criticou o ex-chefe de Estado timorense.

É preciso “pensar muito a sério o que realmente interessa” à lusofonia “nos próximos cinco, dez anos”, apelou.

 

SBR //JMR.

Lusa/fim.

Foto: LUSA – Ramos Horta,  07/01/2013, JOSE SENA GOULAO / LUSA

 

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