O escritor angolano Arlindo Barbeitos manifestou-se favorável à aceitação do português falado em Angola, desde que assente a sua estrutura morfo-sintáctica na gramática convencional.

“O português de Portugal não é padrão e sim uma variante da Língua Portuguesa. Nada mais, porque na Língua Portuguesa, tal como no Inglês, não há língua padrão. Há simplesmente regras que nós temos de conhecer”, argumentou.

Disse ter em conta a experiência dos escritores cubanos, que reconhecem haver um espanhol culto que devem escrever nos livros de ciência e outros destinados aos estudantes, mas tem liberdade de incluir nos romances e alguns manuais o seu linguajar.

“Essa foi uma das experiencias que alguns de nós escritores tomamos de Cuba. Já o fazíamos, mas as vezes com uma certa aflição, o que levava que muitos autores portugueses a brasileiros considerassem as suas obras menores, em termos de rigor e qualidade”.

“Eles achavam que as nossas obras eram menores e estavam cheias de africanismos, como os textos do Uahenga Xitu e do Luandino Vieira. Isto é incorrecto.

Nós temos que saber afirmar, muito claramente, a nossa personalidade de angolanos”, disse.

Arlindo Barbeitos considerou importante saber que existe uma linguagem coloquial, mas alertou que os textos oficiais, nos jornais e outros meios, devem trazer um português correcto.

“Que eu diga naturalmente, na linguagem coloquial, eu vou na minha casa, nada tenho contra isso. Essa é a tradução directa da nossa língua. Mas quando escrevo um texto oficial, então escrevo um português correcto, obedecendo as regras gramaticais, como fazem também os brasileiros”, alertou.

“Há gente que vê muitas vezes os pais falarem correctamente o português, mas os filhos falando já o angolês, como eu digo.

É uma realidade histórica que temos de aceitar, a linguagem coloquial, sem abdicar de escrever correctamente”, disse. Ler  artigo completo.

 

Foto: Uma jovem durante a gravação do programa “uma rádio com muita lata” para falar do ambiente e sensibilizar cada domingo os seus ouvintes através da Rádio Universidade de Coimbra e da Lousã FM, em Coimbra, 17 de maio de 2010. PAULO NOVAIS/LUSA

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