Luanda, 10 nov 2022 (Lusa) – O escritor angolano Boaventura Cardoso recebe hoje, em Luanda, o Prémio de Literatura dstangola/Camões, promovido pelo dstgroup, em pareceria com o instituto Camões, pela obra “Margens e Travessias”, de 2021, anunciou a instituição portuguesa.

De acordo com a nota, o galardão, prémio pecuniário no valor de 15 mil euros, será entregue a Boaventura Cardoso, vencedor da IV edição, na quantia correspondente em kwanzas.

Boaventura Cardoso, licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade de São Tomaz de Aquino- “Angelicum”, de Roma, é membro fundador da União dos Escritores Angolanos e autor de várias obras literárias.

O documento salienta que as várias obras inscritas no concurso foram analisadas por um júri de referência, constituído pela professora Irene Guerra Marques (presidente), o professor Manuel Muanza e o jornalista Carlos Ferreira, ao qual coube a análise, escolha e fundamentação da obra premiada.

“A atribuição do prémio ao autor Boaventura Cardoso fundamenta-se essencialmente no facto de se tratar de uma obra que reflete, melhor do que nunca, um escritor que nos habituou, ao longo dos anos, a um trabalho exaustivo que balança constantemente entre uma criatividade muito rica, mas também muito disciplinada”, destacou o júri do prémio, citado na nota.

“Entre o imaginário, o realista, o religioso, o musical (o refrão que percorre uma das principais figuras do seu romance, da sua vida!), Boaventura Cardoso recorre aos mesmos métodos que fizeram dele um dos melhores prosadores da História da Literatura Angolana: uma disciplina férrea, um profundo conhecimento da realidade, uma observação lúcida e inteligente de tudo quanto se vai passando à sua (à nossa…) volta e constrói um romance que se constitui fundamental para quem queira conhecer a Angola do último meio século”, acrescentou o júri.

Já foram vencedores do Prémio de Literatura dstangola/Camões, que distingue livros editados em poesia e prosa de artistas nascidos em Angola, autores como Zetho Cunha Gonçalves, em 2019, Pepetela, em 2020, e Benjamim M’Bakassy, em 2021.

Também no âmbito do protocolo assinado em 2019 com o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, foi criada a sala de leitura dstangola no Centro Cultural Português em Luanda, que recebeu do dstgroup milhares de livros, no valor de mais de 12.500 euros.

Para este projeto está já previsto um reforço de seis mil euros, em cada um dos três anos subsequentes. De entre os milhares de livros encontram-se títulos de autores portugueses, autores lusófonos, livros técnicos e literatura, entre muitos outros géneros.

Da coletânea de obras de Boaventura Cardoso constam os livros de contos “Dizanga dya Muenhu (1977), “O Fogo da Fala” (1980) e “A Morte do Velho Kipacaça” (1987), dos romances “O Signo do Fogo” (1992), “Maio, Mês de Maria” (1997), “Mãe, Materno Mar” a que foi atribuído o Prémio Nacional de Cultura e Artes (2001), na disciplina de Literatura, e dos romances “Noites de Vigília” (2012) e “Margens e Travessias” (2021).

O escritor, atualmente deputado à Assembleia Nacional pelo partido no poder, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), é membro honorário da Academia Palmense de Letras (Estado brasileiro de Tocatins) e ostenta a Ordem do Mérito Cultural na classe Comendador, concedido pelo Presidente da República Federativa do Brasil, em 2006.

Está dicionarizado no “Novo Aurélio”, de Aurélio Buarque de Holanda, tendo sido de 2016 a 2020, o primeiro presidente da Academia Angolana de Letras de que é membro fundador.

O Prémio de Literatura dstangola/Camões foi lançado em janeiro de 2019, em parceria com o instituto Camões.

O dstgroup é um grupo empresarial português de referência, que desenvolve a sua atividade na área da Engenharia & Construção, Ambiente, Energias Renováveis, Telecomunicações, Real Estate e Ventures, e que opera também internacionalmente nos mercados de França, Reino Unido, Holanda, Mónaco e Angola.

“É um mecenas cultural por excelência, sendo o apoio à cultura e à arte, parte indissociável do seu código genético, o que se reflete de forma mais visível na sua assinatura de marca building culture”, sublinha-se na nota.

NME // VM – Lusa/Fim

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