“Se temos escolas de referência que estão a ter bons resultados, porque é que não ampliamos lentamente esse tipo de escolas, com o mesmo sistema de educação onde a língua portuguesa é usada como língua simultaneamente de ensino e de instrução desde a pré-escolar. É isso que tem que ser, língua portuguesa e tétum”, disse à agência Lusa.

As onze escolas de referência a funcionarem em igual número de distritos timorenses e as duas que deverão ser abertas este ano são um dos projetos centrais na cooperação entre Portugal e Timor-Leste.

Sediadas em 11 capitais de distrito – Bacau, Same, Maliana, Oe-cusse, Ermera, Aileu, Liquiçá, Lospalos, Suai, Dili e Manaauto – e com mais de 3.500 alunos timorenses, deveriam ter cerca de 150 professores, ainda que cerca de 50 continuem por chegar a Timor-Leste.

O projeto prevê ainda a abertura, durante o presente ano letivo, de novas escolas em Viqueque e Ainaro, permitindo que todos os distritos do país fiquem dotados com estas escolas de referência, mas o processo está dificultado pelo atraso no envio dos professores que deveriam ter chegado no ano passado Timor-Leste.

Alkatiri falava à Lusa no Parlamento Nacional, onde a sua bancada, a Fretilin, pediu hoje o adiamento para a próxima quarta-feira do debate da Apreciação Parlamentar sobre dois polémicos decretos curriculares do Governo, no intuito de “procurar consensos” sobre o assunto.

Mari Alkatiri recordou que as ideias de introduzir o ensino das línguas maternas tem vindo a ser defendidas por várias agências internacionais, que desde a assembleia constituinte, em 2000, continuam “a insistir no mesmo ponto”.

“Eles nunca virão com argumentos políticos. Apresentarão sempre argumentos técnicos. Temos que ser capazes de ver nos argumentos técnicos o que corresponde à verdade, porque não podemos ignorar ou negar a verdade, mas temos que manter a coerência com a política que foi defina constitucionalmente: de reforçar, reintroduzir a língua portuguesa e afinar o tétum”, defendeu.

Afirmando que várias organizações ativas na promoção da agenda das línguas maternas “estão interessados em dividir”, Mari Alkatiri insistiu que a necessidade e vontade de preservar e proteger a riqueza cultural timorense não pode condicionar o objetivo de desenvolvimento educativo.

“Quando se pretende desenvolver um sistema educativo visando a assimilação da ciência, da técnica, da teoria, da filosofia, devemos ser claros de que isso não pode ser feito proliferando línguas na educação”, disse.

ASP // ARA – Lusa/Fim


Fotos LUSA:

– Xanana Gusmao e Mari Alkatiri. 18/04/2002. FOTO PAULO NOVAIS/LUSA

– Escola

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