25 February 2021
"Carnaval é cultura, pelo Carnaval a gente aproxima os povos, faz as histórias ficarem conhecidas", acrescentou. A pesquisa feita sobre o país, segundo Silva, foi certificada pelo Instituto Nacional do Turismo de Moçambique (Inatur).

Escola de samba celebra história e lenda de Moçambique

A escola de samba Nenê de Vila Matilde, da zona leste de São Paulo, desfilará no Carnaval deste ano com um enredo sobre Moçambique, baseado em símbolos e na lenda do baobá sagrado.

O baobá, uma árvore de grande porte também chamada de imbondeiro, virá representado no primeiro carro alegórico da escola, o abre-alas, com uma estrutura de cerca de seis metros de altura que terá em seu tronco um rosto de um homem, que, no enredo, apresenta a história de Moçambique.

Sobre o baobá, ainda no mesmo carro, haverá uma escultura de uma águia, símbolo da escola Nenê de Vila Matilde. Ao todo, o abre-alas terá cerca de 12 metros de altura por 20 metros de comprimento, segundo o carnavalesco Pedro Alexandre Lacerda, conhecido como Magoo.

“Muitas vezes só chegam aos brasileiros os problemas de Moçambique, os conflitos, a AIDS. Mas há também muita coisa boa, há pessoas que enfrentam as adversidades com um sorriso no rosto, vestindo cores vivas. Queremos que o Brasil conheça melhor esse país”, disse o carnavalesco.

O desfile será composto por quatro partes, a primeira delas com alas sobre a formação de Moçambique, com povos de várias regiões africanas; a segunda sobre as invasões e a colonização, que representa conquistadores como dragões; a terceira sobre os costumes e tradições culturais; e a quarta com uma visão otimista de futuro, incluindo a agricultura e o turismo.

Magoo contou que deixou de lado os materiais de luxo normalmente usados para adornar os carros e fantasias, como plumas e brilhos, e apostou em cores fortes e materiais leves e rústicos que melhor definissem Moçambique, como tecidos, máscaras, palha ou algodão cru.

A escola será a última a desfilar na sexta-feira anterior ao carnaval, 13 de fevereiro. Enquanto aguardam o desfile, trabalhadores acertam os últimos detalhes dos carros alegóricos, ao mesmo que os foliões treinam a coreografia e a letra do samba, durante os ensaios na sede da escola.

“Bate o tambor do meu samba/ surdo, tarol e repique/ hoje a vila canta Moçambique./ Vem bateria de bamba/ quem esperou prá me ver/ Chegou Nenê”, diz a letra da música.

A Nenê de Vila Matilde é uma escola tradicional, fundada em 1949 e onze vezes campeã do Carnaval de São Paulo. O tema do enredo foi escolhido após a ideia de um membro da escola, que havia visto uma reportagem sobre o Baobá na televisão.

A diretora de Carnaval da escola, Lucia Helena da Silva, realçou que a comunidade recebeu bem o tema, e afirmou que as semelhanças entre Brasil e Moçambique estão para além da língua, e abrangem costumes e características.

“Carnaval é cultura, pelo Carnaval a gente aproxima os povos, faz as histórias ficarem conhecidas”, acrescentou. A pesquisa feita sobre o país, segundo Silva, foi certificada pelo Instituto Nacional do Turismo de Moçambique (Inatur).

Oito autoridades de Moçambique deverão representar o país no carro abre-alas, afirmou a diretora de Carnaval, além de outros moçambicanos divididos entre as alas.

 

FYB // PJA – Lusa/Fim

Fotos:

– Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, São Paulo, Brasil, 09 de fevereiro de 2013. EPA/SEBASTIAO MOREIRA.

– Gorongosa, centro de Moçambique, 11 de janeiro de 2014. ANDRÉ CATUEIRA/LUSA

Também poderá gostar

Sem comentários