O projeto está a ser desenvolvido em conjunto com o Ministério da Educação britânico por um grupo de professores, um psicólogo, uma assistente social, um arquiteto, um advogado e uma gestora, ingleses e portugueses, em regime de voluntariado.

Regina Duarte, uma das mentoras da ideia, disse ter-se apercebido, durante o primeiro ano como coordenadora do ensino do português no Reino Unido, de uma lacuna no sistema educativo britânico.

“Muitos alunos descendentes de portugueses são encarados nas escolas inglesas como estando atrás dos outros porque não dominam tão bem o inglês, em vez de este bilinguismo ser considerado uma potência”, lamentou.

Outro fator que identificou é que muitos pais não participam nas escolas inglesas devido às barreiras linguísticas, pelo que propõe oferecer cursos aos pais.

No início, serão abertas vagas para crianças com idades entre os quatro e os sete anos e, no nível secundário, entre os 11 e 12 anos, com um currículo adaptado às especificidades da escola.

“Queremos que eles tenham um programa – estamos a trabalhar com o ministério da Educação [britânico] nesse sentido – de história com aspetos conjuntos da história de Portugal e de Inglaterra, que é uma história conjunta desde o início da nossa nação”, adiantou a responsável.

O modelo será o de uma escola independente, que está a ser promovido pelo Governo de coligação conservador e liberal, que dá à escola maior autonomia na gestão, nomeadamente de horários e currículo, sem agravar os custos para os pais.

Regina Duarte encara isto como uma “oportunidade para este tipo de projetos, para criar escolas que tenham a ver com a comunidade que servem, que sejam mais úteis, que não sejam escolas com um modelo único para todos”.

Embora admita que “haverá uma maior apetência” de famílias lusófonas, garante existir interesse de “muitas famílias inglesas e de outras nacionalidades interessadas em investir no português como língua de futuro”.

O sucesso dependerá do nível de adesão destes pais e também da aprovação das autoridades britânicas, que serão responsáveis pela aquisição de um edifício, pagamento de salários e despesas de manutenção da escola.

A localização privilegiada é o sul de Londres, onde está concentrada a comunidade lusófona na cidade, e onde já funciona com sucesso uma escola bilingue francesa e inglesa.

BM // VM.

Lusa/Fim

Foto: LUSA – A Tower Bridge em Londres. 12 de março de 1994 Inácio Rosa / Lusa

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