Os guineenses que tiveram formação capaz estão convidados pelo novo primeiro-ministro a trocar algumas horas de trabalho pela tarefa de professor, algo que o próprio líder do Governo se dispõe a fazer.

“Todos nós, que tivemos a sorte ou privilégio da formação, devemos equacionar a possibilidade de consagrar parte do nosso tempo a retribuir algo em termos de educação”, referiu – sem pretensão de ser “revolucionário ou nacionalista”.

A ideia passa por juntar todas as contribuições e ganhar margem de manobra para apostar na formação de professores, sem perder a pedalada curricular.

Trata-se de “garantir um período de transição educativa que permita que os professores tenham uma educação adequada para esse efeito, sem interromper o vínculo laboral”.

“Tenho muito respeito pelos professores: se sou alguma coisa na vida, devo-o aos professores”, destacou, mas reconhecendo as fragilidades na Guiné-Bissau.

“Causa alguma impressão e preocupa qualquer um, quando vai à escola, aperceber-se que o professor tem dificuldade até em falar consigo. Ou seja, se o meu filho fala melhor português e percebe melhor as coisas que o professor que é suposto ensiná-lo, temos problemas”, exemplificou.

O chefe do Executivo defende a necessidade de dialogar com os docentes e “criar condições para que possam ter acesso a toda a preparação necessária para de facto serem professores e serem respeitados como tal”.

Domingos Simões Pereira considera “fundamental” que o próximo ano letivo comece a tempo e horas no ensino público – rompendo com o cenário dos últimos dois anos em que foram mais os dias sem aulas, devido a greves por falta de pagamento de salários, do que os dias de funcionamento.

“A escola tem que ser atrativa” para cativar as crianças, com uma aposta decisiva em novas infraestruturas, afastando a ideia de funcionar ao ar livre, por vezes debaixo de um mangueiro (uma das maiores e mais comuns árvores de fruto da Guiné-Bissau).

“Se temos uma escola debaixo do mangueiro, é porque não lhe demos prioridade”, sublinhou.

Por outro lado, considera que o currículo “tem que ser consequente”.

“Que tipo de pessoa é que queremos no fim do processo: um cidadão, alguém capaz de enfrentar o mercado de trabalho, alguém competitivo lá fora? Temos que trabalhar num perfil”, concluiu.

Domingos Simões Pereira, 50 anos, nasceu em Farim, norte da Guiné-Bissau, foi secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) entre 2008 e 2012, tem formação em engenharia civil e ciências políticas e já exerceu cargos governamentais.

Foi eleito líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) a 09 de fevereiro no 8.º Congresso do partido, sucedendo a Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto no golpe de Estado de abril de 2012 e de quem recebeu apoio declarado na candidatura à liderança do partido.

Tornou-se assim, por inerência, o candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas de 13 de abril (realizadas no mesmo dia das presidências, as primeiras depois do levantamento militar de há dois anos) e que o PAIGC venceu com maioria absoluta.

LFO // EL – Lusa/fim


Fotos:O atual Primeiro ministro da Guiné-Bissau no dia das eleições. 13 de abril de 2014. TIAGO PETINGA/LUSA

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