Lisboa, 13 dez (Lusa) – A secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa disse hoje que a organização gostaria de ter a China na sua lista de países observadores associados, considerando ser “bem possível” que isso venha a acontecer.

“Todos temos assistido ao grande interesse que a China tem manifestado relativamente aos países de língua portuguesa. A China é hoje um parceiro extremamente importante para os países africanos de língua portuguesa, e não só”, disse, em entrevista à Lusa, Maria do Carmo Silveira, que a 31 de dezembro termina o seu mandato como secretária executiva da CPLP, sendo substituída pelo português Francisco Ribeiro Telles.

Quando questionada sobre uma eventual possibilidade de a China poder vir a ser um observador associado da CPLP, respondeu: “quem sabe… É bem possível. Acho que a CPLP veria com muitos bons olhos essa possibilidade. A China seria muito bem-vinda como observador associado”.

Sobre se a China já manifestou esse interesse, Maria do Carmos Silveira disse não ter ainda “qualquer indicação neste sentido”, mas acrescentou: “nunca se sabe quando é que as coisas podem aparecer”.

Atualmente, a CPLP tem 19 países como observadores associados.

O Presidente da China prometeu, durante a sua visita a Portugal no início de dezembro, o reforço dos projetos existentes com Portugal e defendeu o multilateralismo, o livre comércio e a paz, numa declaração conjunta com o primeiro-ministro português, António Costa.

“O funcionamento bilateral encontra-se no seu melhor momento histórico. Em 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, vamos aprofundar a amizade e cooperação e levar a nossa parceria estratégica global para um novo patamar”, assinalou Xi Jinping no Palácio de Queluz, onde foi recebido pelo primeiro-ministro português, membros do Governo, empresários e académicos.

Na altura, afirmou ainda que “as duas partes vão empenhar-se na promoção e aprofundamento da parceria estratégica global entre a China e a Europa, reforçar o apoio à cooperação nas organizações internacionais, como a ONU, salvaguardar conjuntamente o multilateralismo, o livre comércio, promover a paz, desenvolvimento, estabilidade e prosperidade mundiais”.

Para 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, Xi Jinping prometeu um aprofundamento da amizade e cooperação.

Prometeu também elevar a “parceria estratégica global para um novo patamar”, em particular no âmbito da Faixa Económica da “Rota da Seda” e da iniciativa relativa à “Rota da Seda Marítima” do século XXI.

A china anunciou em 2010 a criação do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, dotado de 1.000 milhões de dólares (879 milhões de euros, ao câmbio atual).

Da dotação global do fundo, 200 milhões de dólares destinam-se a fundos de capital, enquanto os restantes 800 milhões a empréstimos e financiamento de projetos lusófonos para a construção de infraestruturas, transportes, comunicações, energia, agricultura e recursos naturais, entre outros domínios do interesse comum da China e do mundo lusófono.

A gestão é feita pelo Fundo de Desenvolvimento China-África, na dependência do Banco de Desenvolvimento da China.

Os projetos a apoiar pelo fundo devem promover o desenvolvimento económico local e melhorar a qualidade de vida das populações.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ATR (PCR) // VM – Lusa/Fim
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