Porto, 16 jan (Lusa) – A “enorme proximidade cultural com Portugal” é apontada pela AICEP como trunfo para os empresários portugueses que pretendam investir em São Tomé e Príncipe, destacando-se as oportunidades nos setores agroalimentar, de infraestruturas energéticas, equipamentos, turismo e consultoria.

De acordo com o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em São Tomé e Príncipe, o ambiente de negócios naquele país está marcado pelo “tratamento igualitário do investidor nacional e estrangeiro”, sendo que, e “ao contrário de outros mercados africanos, não é preciso um sócio local” para entrar no mercado.

Descrito por António Aroso – que falava no seminário “Apresentação dos mercados de São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial”, organizado hoje no Porto pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) – como um país “extremamente seguro”, apesar de situado no Golfo da Guiné, onde “as relações de confiança são extremamente importantes” e cujo Produto Interno Bruto (PIB) “tem crescido 4/5% ao ano”.

Às cerca de três dezenas de empresários presentes, o delegado da AICEP destacou as potencialidades da notoriedade de Portugal no país na altura de fazer negócios e apontou as oportunidades em diversos setores, do agroalimentar e vinhos às infraestruturas de energia e transportes, máquinas e equipamentos, mobiliário e têxteis, eletrónica de consumo, formação e consultoria, turismo e serviços partilhados.

“O novo código de investimentos e benefícios fiscais está a dar os primeiros passos e enquadra projetos a partir de 50 mil euros, com isenções aduaneiras mais fáceis de negociar”, referiu António Aroso, salientando que São Tomé e Príncipe “não é um país protecionista”, sendo já atualmente o destino de “1.260 empresas portuguesas exportadoras”.

Relativamente ao mercado da Guiné Equatorial, o cônsul honorário de Portugal naquele país africano apresentou-o aos empresários presentes no seminário como “um dos poucos países do mundo que não tem dívida”, mas admitiu que atualmente atravessa um momento de estagnação no investimento devido à crise do petróleo.

Apontando as áreas da agricultura, pescas, formação profissional, telecomunicações e informática como “quase virgens” em matéria de investimento estrangeiro, Manuel Azevedo alertou que “quem quiser investir na Guiné Equatorial tem que ter um sócio local com 35% do capital, mas sem investimento”, que é importante saber “escolher muito bem”.

Contrariamente a São Tomé e Príncipe, disse, na Guiné Equatorial o “mercado da saudade” não é Portugal, mas Espanha, pelo que “a venda de produtos portugueses faz-se, mas é preciso fazer acordos comerciais”: “Isto da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] é muito bonito, mas ninguém fala português. Negócios têm que ser em castelhano”, disse o cônsul.

As áreas da saúde, educação, pescas, agricultura e telecomunicações são referidos como alguns dos mais promissores num “país seguro”, com “cerca de 1, 2 milhões de habitantes”, que “não tem problemas cambiais” e cujo PIB a preços correntes ronda os 11 mil milhões de euros.

Face a São Tomé, Manuel Azevedo aponta como “vantagem grande” da Guiné Equatorial o facto de “já ter as infraestruturas todas feitas”, dispondo de “bons portos, cinco aeroportos, estradas, ligações marítimas a Leixões e Setúbal e várias ligações aéreas a Portugal”.

Pelo contrário, como desvantagem, referiu a ainda grande ausência de regras nas relações comerciais e na cobrança de impostos.

“A Guiné equatorial está ávida de projetos, mas não está a executá-los nem a pagá-los devido à falta de dinheiro”, afirmou o diplomata, destacando a “necessidade de pôr a economia a funcionar sem petróleo”.

PD // VM – Lusa/Fim

 

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