Atualmente, explicou Virgínia Trigo, o ISCTE está a ministrar um curso de doutoramento em Cantão na área da gestão hospitalar e outro em Chengdu em gestão, com universidades locais, além de ter outros programas com o grau de mestrado também com a universidade em Cantão.

Especificamente, disse, trata-se Universidade de Ciências Eletrónicas e Tecnologia da China, em Chengdu, e da Universidade de Medicina do Sul, em Cantão.

“Temos 75 alunos no programa de doutoramento em Cantão e, em Chengdu, depois da conclusão do programa por 10 alunos em maio, outros 12 irão defender as teses em outubro e permanecem no programa outros 40 alunos”, explicou Virgínia Trigo, que desde o início do ano fixou residência em Cantão, capital da província de Guangdong, que faz fronteira com Hong Kong e Macau.

Para a professora do ISCTE, os programas de mestrado e doutoramento organizados e ministrados por esta universidade portuguesa constituem, hoje e numa época de crise em Portugal, a “criação de uma massa crítica excelente para Portugal porque permitem ao país adquirir um conhecimento muito profundo da nova realidade chinesa que todos os países pretendem”.

“Além deste conhecimento sobre os assuntos adquirido pela orientação das teses que são todas defendidas em Portugal, estes programas permitem criar laços de aproximação com uma elite chinesa com capacidade de tomar decisões, que pode ser benéfica para Portugal numa altura de crise”, acrescentou, salientando, contudo, que os “benefícios possíveis” também dependem da capacidade e do interesse das empresas portuguesas responderem aos desafios dos alunos chineses.

É que, sublinhou, “não há melhor ligação, melhor ponte que pode ser construída do que a que fica entre um aluno e a sua universidade”.

Os programas de mestrado e doutoramento organizados e ministrados pelo ISCTE tiveram início em 2009 em Chengdu e em 2010 em Cantão, mas só agora, três anos depois, começam a ter os primeiros alunos formados.

A criação dos programas, que tem a aprovação do Ministério da Educação da China, é resultado de muitos contactos desenvolvidos ao longo de mais de 20 anos que Virgínia Trigo desenvolveu desde que chegou a Macau em 1989.

“Ao longo dos anos foram estabelecidos contactos, conheceram-se pessoas e em 2006 alguns alunos chineses obtiveram o grau de doutoramento em Portugal. Esses alunos regressaram à China e assumiram lugares de destaque que ajudaram a abrir a porta a estes programas”, explicou.

Além do curso de Cantão na gestão hospitalar “que irá habilitar os médicos participantes com conhecimentos de gestão para o setor que está em profunda mudança na China”, Virgínia Trigo destacou ainda o facto de os programas serem de âmbito nacional, integrando alunos de várias províncias que abordam temas tão variados como a internacionalização das empresas chinesas ou a privatização do setor empresarial do Estado.

JCS // VM – Lusa/Fim

Fotos: Logótipo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), em Lisboa, 29 de novembro de 2012. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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