5 March 2021
A adoção de um regime comum para a ortografia do português em todos os países lusófonos põe fim ao afastamento do Brasil e de Portugal quanto às normas sobre a escrita do idioma de Machado de Assis e de Eça de Queiroz.

Diferenças entre normas da língua em Portugal e no Brasil podem acabar depois de um século

Ao longo do século 20, os dois países modernizaram separadamente a maneira de escrever, fizeram suas regras próprias mas apenas, mais de uma vez, ensaiaram aproximação.
Isso foi obtido em 1990, com a assinatura do acordo que só começa a ser ratificado neste século. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste não criaram normas próprias paralelas, assim como fizeram Brasil e Portugal, porque tiveram independência mais recentemente.
Em artigo publicado no Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa, o linguista luso João Malaca Cateleiro afirma que a separação das ortografias brasileira e lusitana começou em 1911, quando Portugal fez, “à revelia” do Brasil, sua primeira reforma ortográfica. O escritor Vasco Graça Moura, também confirma baseado na ortografia.
— Começa uma divergência na maneira de ortografar a língua, uma vez que nós começamos a seguir um determinado tipo de ortografia e o Brasil tinha uma regra fixa.

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Segundo Moura, até aquela altura os dois países tinham regras “extremamente confusas”. Na então recente república portuguesa, em cada grupo de quatro cidadãos três eram analfabetos.
— Com a simplificação da ortografia, imaginou-se que iria ser combatido o analfabetismo. A ideia era generosa, mas completamente estúpida! Se fosse assim todos os alemães eram analfabetos.
Ele destaca que no Brasil também havia um movimento para reformar a maneira de escrever o português.
— Eu conheço uma carta de Mário de Andrade dizendo que vai escrever como se fala, e não vai seguir a grafia [adotada] do lado de cá do Atlântico.
O diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), o brasileiro Gilvan Müller de Oliveira revela que os dois Estados optaram por ter normas divergentes, que dificultasse o entendimento de um ao outro quase como estratégia mercantilista de composição de normas.
— Para que o nosso livro não circulasse aqui e o livro de Portugal não circulasse lá. As nossas histórias econômicas são o contrário da livre circulação da mercadoria.
João Malaca Cateleiro registra que ao longo do século 20 foram várias as tentativas de resolver as divergências ortográficas entre Portugal e o Brasil, protagonizadas pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras.
— As datas mais mais relevantes são as de 1931, 1943, 1945, 1971/1973, 1986 e 1990, sendo esta última a do Novo Acordo Ortográfico [em vigência]. Ler o artigo completo

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