Praia, 14 abr (Lusa) – Um cantor de tango argentino com carreira na Europa ou um músico da banda do norte-americano Duke Ellington são alguns dos personagens inéditos do dicionário da música de Cabo Verde, que reúne mais de 900 artistas e bandas.

A obra Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens, da jornalista e investigadora Gláucia Nogueira, é apresentada hoje na cidade da Praia e a 20 de abril no Mindelo, depois de lançamentos em Portugal e na Holanda.

O dicionário, que abrange as práticas musicais no arquipélago de Cabo Verde e nas suas comunidades emigradas desde meados do século XIX até ao presente, regista 964 entradas relativas a músicos individuais (703) ou grupos (261).

Destes, 593 são homens e 110 mulheres. Há ainda 22 estrangeiros cujo trabalho musical de alguma forma relaciona-se com Cabo Verde e seis construtores de instrumentos, 11 produtores, 18 professores ou regentes de bandas.

Do total de entradas, 283 são sobre personagens já falecidas ou grupos que já não existem, enquanto 681 são sobre grupos da atualidade e personalidades vivas. Destes, 265 encontram-se em Cabo Verde, e o restante na emigração.

O livro reúne ainda 254 imagens entre fotografias, reproduções de capas de discos ou recortes de imprensa.

Gláucia Nogueira, que recorreu em 2015 a uma campanha de crowdfunding para poder editar a obra, explicou que o dicionário inclui nomes consagrados da música de Cabo Verde, como Cesária Évora, Luís Morais ou Manuel de Novas, e outros de expressão apenas local ou regional.

Há ainda aqueles, que segundo a autora, vão surpreender pela sua ligação desconhecida a Cabo Verde.

“Aparecem algumas personagens que, mesmo aqui, vão ser surpresa para muita gente porque são totalmente desconhecidos. Por exemplo, um cantor de tango argentino, que teve uma longa carreira, viveu na Europa muitos anos, teve uma companhia de música e dança e que era filho de cabo-verdianos. Chamava-se Lourenço Pires e fez carreira como Juan Carlos Cobos”, disse Gláucia Nogueira em entrevista à agência Lusa.

Gláucia Nogueira apontou ainda uma série de artistas que nos Estados Unidos fizeram carreira ligados ao jazz.

“Há, por exemplo, um grande músico que era da banda do Duke Ellington que era cabo-verdiano. Há alguns nomes que emergem do desconhecimento e acho que foi importante fazer esse ‘garimpo’ e descobrir essas histórias”, disse.

Para a autora, que começou a preparar este trabalho há 20 anos, o objetivo do dicionário é “mostrar, através dessas personagens, as práticas musicais em Cabo Verde e no mundo porque também há outros artistas que estão ligados a outros géneros musicais que não tem nada a ver com Cabo Verde, mas fazem parte da nação cabo-verdiana”.

Gláucia Nogueira recorreu a capas de álbuns, notícias na imprensa, livros, entrevistas presenciais ou à distância, redes sociais e à internet para uma investigação que a levou a várias ilhas do arquipélago de Cabo Verde e a vários países, e ficou concluída em 2013.

As obras no dicionário compõem um património musical que “reflete diferentes momentos sociopolíticos e da história da música popular mundial nos últimos 150 anos”, segundo o texto de apresentação do livro.

Gláucia Nogueira adianta que a função do dicionário será a de “fixar uma série de histórias, biografias e informações sobre discografia e sobre quem é quem na música de Cabo Verde, sobretudo para as novas gerações”.

A obra foi editada em Portugal pela Campo da Comunicação e é distribuída em Cabo Verde pela Livraria Pedro Cardoso.

CFF // VM – Lusa/Fim

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