Esses verbetes são de temas como animais, plantas, objetos, partes do corpo humano e elementos da natureza. Deles foram feitos a palavra em português, na língua indígena, o tronco linguístico, a família linguística, a transcrição fonética, a transcrição ortográfica, definição na língua indígena, definição na língua portuguesa, exemplo na língua indígena e na língua português e o desenho, além da gravação do som na língua indígena.

 

Trata-se de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Faculdade Indígena Intercultural da Universidade do Estado de Mato Grosso em parceria com órgãos de fomento de Mato Grosso e organizações indígenas.

No Brasil temos cerca de 180 línguas indígenas faladas, sendo que Mato Grosso abriga um número considerável dessa parcela de falantes das línguas maternas.

A proposta de elaboração do dicionário surgiu da preocupação em estar desenvolvendo um trabalho efetivo que contribuísse com a manutenção das línguas existentes e pudesse estar revitalizando algumas que entraram em processo de desaparecimento.

A intenção do dicionário é que ele seja disponibilizado aos indígenas e, também, à população não índia, na perspectiva de mostrar a diversidade para a comunidade educacional brasileira, notadamente aquela dedicada à educação escolar indígena, na expectativa de que seja usado na escola não índia, mostrando assim a diversidade étnica e cultural, as diferentes lógicas de ver e pensar o mundo presente em nosso país, estimulando ainda a produção de materiais didáticos.

Foi pesquisando e estudando essas 28 línguas indígenas que o grupo envolvido neste projeto, conseguiu digitalizar textos, imagens e sons, fazer a revisão linguística e de português dos verbetes, além da elaboração do projeto de multimídia.

Metodologicamente o trabalho seguiu uma abordagem qualitativa, contando com a participação efetiva dos estudantes indígenas e suas comunidades, onde foram feitas entrevistas, gravações, anotações e um intenso trabalho de campo e laboratório.

Ao desenvolver pesquisa com os indígenas, em um processo de convivência interativa e criativa, caracterizando pela compreensão e reconhecimento da diferença étnica, acreditando contribuir com a produção e circulação de uma literatura indígena que possa superar a ausência de materiais de leitura nas escolas e respectivas comunidades indígenas.

Ao mesmo tempo tem-se a expectativa que ao possibilitar a devolução de parte da produção escrita e de imagens aos estudantes indígenas, estimular-se-á a elaboração de outras publicações, de autoria individual e coletiva, por parte dos professores indígenas e de seus alunos, que possam subsidiar o processo educativo nas escolas das aldeias.

Em síntese, a proposta do dicionário que agora se conclui promove o registro e a divulgação de experiências e reflexões geradas por indígenas e não indígenas ao longo de mais de dois anos, possibilitando com isso a construção de políticas públicas no estado de Mato Grosso, particularmente no que refere ao ensino da língua indígena, visando à afirmação da identidade étnica e cultural do patrimônio imemorial linguístico existente.

Elias Januário (Elias Januário é doutor em Educação, professor de Antropologia da Unemat e escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail:eliasjanuario@terra.com.br)

 

FONTE: Terminómetro

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