“O português é uma das matrizes da língua cabo-verdiana e é uma das coisas mais bonitas que ficaram em Cabo Verde resultantes da colonização e, inclusivamente, da escravatura”, disse à agência Lusa o linguista cabo-verdiano Manuel Veiga.

Segundo o autor, este é o primeiro dicionário “caboverdiano – português” a ser apresentado em Portugal.

“Eu acho extremamente significativo [esta apresentação], porque hoje é o dia das línguas maternas em todo o mundo e o crioulo de Cabo Verde é a nossa língua materna. Então, lançar um dicionário sobre o crioulo de Cabo Verde na perspetiva de oficialização desta língua é uma iniciativa muito interessante”, sublinhou.

O português é a língua oficial e o crioulo é a língua nacional de Cabo Verde, sendo Manuel Veiga um grande incentivador para que a língua cabo-verdiana seja, efetivamente, equiparada à língua portuguesa.

No entanto, existe uma grande polémica em torno da uniformização do crioulo devido às diferentes variantes faladas nas diversas ilhas do arquipélago.

Manuel Veiga disse que começou a elaborar o dicionário em 1995, com a ajuda de uma equipa, e levou cinco anos a terminá-lo.

“O dicionário foi lançado em Cabo Verde em 2011 e, posteriormente, nos Estados Unidos”, sublinhou o autor.

Com 15 mil entradas (palavras), até ao momento, é o dicionário mais completo publicado em Cabo Verde, segundo o linguista.

O ex-ministro sublinhou que introduziu em muitas palavras, as variantes utilizadas nas várias ilhas do arquipélago.

“Como linguista que sou, sempre pensei que o meu contributo para Cabo Verde, na área da cultura, seria procurar uma escrita padronizada para a língua cabo-verdiana e fazer trabalhos no domínio da gramática”, indicou.

Após publicar diversas obras sobre a língua cabo-verdiana, como gramáticas e outros estudos, decidiu lançar este dicionário.

“Os portugueses foram cúmplices da criação desta língua, portanto, também são responsáveis pela valorização desta língua”, acrescentou o autor.

De acordo com Manuel Veiga, o dicionário é direcionado, fundamentalmente, para a comunidade cabo-verdiana em Portugal, mas indicou que também há académicos interessados pela obra.

A publicação já vai na sua segunda edição e o autor referiu que uma terceira edição poderá ser lançada.

O dicionário será apresentado pelo autor na Associação Caboverdeana, em Lisboa, e a sessão vai estar a cargo da linguista e professora do ensino bilingue português – cabo-verdiano, Ana Josefa Cardoso.

Durante a presentação do dicionário, a Associação Caboverdeana de Lisboa irá apresentar ainda o projeto do curso de língua cabo-verdiana, que será ministrado nas instalações da organização associativa, a partir de março.

 

CSR // SB

Lusa/fim

Foto: Língua Portuguesa, Facebook

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