Maísa nasce, vive e trabalha em Lisboa. Começou a pintar no atelier do retratista Luís Guimarães, entrando mais tarde no Curso de Artes Plásticas – Pintura da FBA.UL.. No seu percurso já partilhou Ateliers com outros Artistas, participando em diversas exposições colectivas.

Afirma que na suas linhas não predomina nenhuma corrente artística ou ideologia, mas sim inúmeras influências que a marcaram decisivamente; quer na forma, força, vibrações e cores temáticas das suas obras. Paralelamente à pintura, Maísa participa na gestão do seu Family Office; a duplicidade destes mundos tão distintos tem sido a base do seu equilíbrio, actuando como um escape de inspiração.

Sobre a exposição “Em Lusofonia”:

Recordo-me de ser criança bastante para ainda não saber ler, de ser criança bastante para ficar em casa enquanto os meus irmãos iam à escola. Recordo-me do silêncio que sentia quando entrava às escondidas no seu quarto e me entretinha a abrir os seus livros. Não os sabia ler, mas não era isso que me prendia a eles. O que me puxava, prendia sim, era o facto de estar a passar as mãos pelos locais onde os meus irmãos, os meus primeiros melhores amigos, tinham passado, estado, sonhado: Sentia-me um pouco como se estivesse com eles, acompanhada, de mão dada a viajar pelos mesmos mundos, a dar os mesmos passos…

Há uns anos atrás, confrontada com a ausência de alguém muito especial, enchi minha casa com os seus livros. Não me preocupou particularmente quem eram os autores ou quais as histórias, mas sim a presença de alguém que fora para mim tão importante, espalhada por todas aquelas páginas. A certeza de que em cada um desses livros, em cada página dessa quantidade imensa de livros, estaria um pouco de si, os seus passos tornando a minha sala cheia da sua presença. Voltei a recordar o silêncio que sentia no quarto dos meus irmãos e que tanta companhia me fazia.

Os livros, sejam eles novos acabados de sair da loja ou relíquias antigas passadas de mão em mão, têm o potencial de transformar uma vida. A capacidade de nos agarrar, acolher, aconchegar, fazer-nos ver que não estamos sós no universo, que as nossas dores, não são mais que dores, meras; que as nossas dúvidas, angústias, paixões e alegrias não são só nossas, mas de todos! Que passados anos, séculos de existência, todos passámos por semelhantes momentos, todos sentimos semelhantes sentimentos. Os livros relativizam a vida, fazem-nos companhia, falam connosco, enfim; imortalizam a experiência humana.
A vida ensina-nos a lê-los, mas são eles também que nos ensinam a vida.
Talvez por isso compre mais livros do que aqueles que consiga ler, por querer encontrar neles respostas para a alma.
Ao ser convidada para exaltar os intérpretes máximos da língua portuguesa, retratando escritores lusófonos pelo Mundo fora, não pude deixar de pensar que fazia todo o sentido retratá-los sobre o suporte que no fundo é seu: Os Livros.

 

 


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