Natalino dos Santos, chefe da bancada do CNRT, disse que Timor-Leste “é livre”, já não é colónia portuguesa “há muito tempo” e que as decisões sobre a língua “foram tomadas pelo parlamento livre” de Timor-Leste.

“O colonialismo não tem nada a ver com isto. A decisão sobre as línguas cabe aos timorenses e os deputados têm o poder de decidir o que é melhor para Timor-Leste”, disse à Lusa.

David Ximenes, deputado da Fretilin, considerou “totalmente errada” a tentativa de relacionar o uso da língua portuguesa em Timor com a questão do colonialismo.

“Ninguém diz aqui que Timor-Leste ainda é colónia portuguesa. Todo aquele que queira relacionar o uso da língua portuguesa em Timor como sendo colónia portuguesa está errado. Então a Austrália ainda é uma colónia inglesa. Todos os que falam uma língua introduzida são colónias”, afirmou à Lusa.

O deputado recordou que depois de tanto tempo “o português passou a fazer parte da cultura e da identidade” do povo timorense e que os que fazem comentários desse tipo “são ignorantes ao sentimento do povo”.

Para Lurdes Bessa do Partido Democrático (PD), os comentários “não fazem qualquer sentido” já que “é evidente que Timor-Leste não é colónia portuguesa há muito tempo” nem pretende ser “protetorado da Austrália ou qualquer coisa que o valha”.

“Este é um assunto que cabe a nós timorenses decidir. A escolha foi feita por nós sem saudosismos, sem interferências por questões políticas, sociológicas e culturais, numa tentativa de sobrevivermos como Estado nesta região.

“Apelo para que nos deixem anos decidir o que achamos que é melhor para o nosso país e criança. Esta decisão já foi tomada pelo parlamento e a nossa constituição diz que legislação sobre esta matéria cabe ao parlamento e não ao Governo”, afirmou.

Os deputados reagiam a uma nota publicada no Facebook pela ex-primeira dama de Timor-Leste Kirsty Sword Gusmão que, no debate sobre o ensino do português como língua oficial no país, considera que “Timor-Leste deixou de ser colónia” portuguesa.

“Timor-Leste deixou de ser colónia da República Portuguesa, e assim o senhor presidente do Parlamento Nacional tem um dever de servir e promover os interesses da sua nação, e principalmente de defender o direito das crianças de terem acesso à aprendizagem nas línguas que conhecem melhor”, escreveu na sua página no Facebook.

Sword-Gusmão, atual embaixadora da boa vontade para os Assuntos da Educação e presidente da Fundação Alola reagia a uma entrevista à Lusa do presidente do parlamento, Vicente da Silva Guterres.

Nesse entrevista o presidente pediu a outros países e a instituições estrangeiras que deixem de “perturbar” e respeitem a decisão “fundamental e estratégica” de Timor-Leste sobre as suas línguas nacionais, tétum e português.

“Tenho visto, desde o início, infelizmente, interesses estranhos a Timor a perturbar as escolhas fundamentais estratégicas que o país tomou”, disse.

Questionado hoje sobre os comentários de Kirsty Sword Gusmão, Vicente da Silva Guterres reiterou o que disse à Lusa.

“Já não somos colónia de ninguém. Somos um país independente. Nacionalizámos a língua portuguesa. Deve-se entrar imediatamente no ensino do português, com ajuda do tétum e das outras línguas para ajudar a dominar o português”, afirmou.

“Ninguém pode dizer que ama mais as nossas línguas maternas que nós próprios e não aceito que alguém diga que defende mais as línguas maternas do que nós próprios”, disse.

“Não faz sentido falar em colonialismo. A não ser quer tenham em mente novos colonialistas”, considerou.

ASP // DM. – Lusa/Fim

Foto LUSA:

– Xanana Gusmao (L) e a sua esposa Kirsty Sword Gusmao mostram os dedos após terem votado nas eleições para o Parlamento de Timor-Leste. Díli, Timor-Leste, 07 e julho de 2012. EPA/ANTONIO DASIPARU.

– Fotos: Parlamento timorense, 11 de janeiro de 2014, Dili, Timor-Leste. ANTÓNIO AMARAL/LUSA

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