Iniciado há oito anos, em 2006, o curso de Tradução e Interpretação Português/Chinês e Chinês/Português formou, até agora, 44 licenciados portugueses 70 chineses e funciona em paralelo nas duas instituições: o primeiro e quarto ano no país de origem dos alunos e os dois anos intermédios em Portugal (para os chineses) e na China (para os portugueses).

“Essa é uma das mais-valias, potenciar a formação num contexto de imersão linguística”, disse à agência Lusa Inês Conde, coordenadora do curso.

De acordo com a professora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPL, empresas privadas da área da tradução em Portugal, Brasil e Angola, órgãos de comunicação social da região autónoma de Macau, universidades e entidades representantes do governo português na China estão entre os organismos que têm garantido saídas profissionais aos alunos.

Durante as aulas, ambos, portugueses e chineses sentem as diferenças nas metodologias de ensino – conforme é praticado em Portugal ou no extremo oriente – embora Inês Conde sublinhe ser “mais difícil” aos alunos chineses assimilarem o método português que o contrário.

“Os professores portugueses usam muito as estratégias criativas ou espontâneas de escrita ou produção oral e os alunos chineses estão habituados a um sistema de mais memorização, repetição até de conteúdos e estruturas gramaticais. Eles têm muita facilidade em estudar a gramática e sentem mais dificuldade na produção oral espontânea, sem preparação prévia”, explicou.

Já os portugueses, continuou, embora em geral adorem a experiência de estudar em Pequim e de sentir a “pulsão” da capital do país mais populoso do mundo, “o mar de gente que pulsa em Pequim todos os dias”, relatam as diferenças encontradas na metodologia chinesa, “um tipo de ensino que requer muita disciplina, muito estudo, muito trabalho, muito treino linguístico”.

O ‘feedback’ que o Politécnico de Leiria tem dos responsáveis do seu congénere de Macau – com quem a parceria permitiu desenvolver uma “relação muito próxima com docentes e funcionários”, quase familiar – é o de que os alunos portugueses que ali demandam “são muito bons a aprender línguas estrangeiras”.

No relacionamento com os professores, os alunos macaenses oriundos do Politécnico de Macau “têm uma relação muito cordial e muito formal”, principalmente no início do ano letivo: “depois percebem que podem estar um pouco mais à vontade mas são muito respeitadores, muito bem comportados nas aulas, respondem muito bem às solicitações dos docentes”, refere Inês Conde.

Os portugueses, esses, são mais informais, denotam “algumas características típicas” do país de origem, “nem sempre respeitam as horas de entrada nas aulas”, assinala, com um sorriso, a coordenadora do curso.

“Temos alunos que já falam chinês quase sem as marcas da sua origem, da sua língua materna. Têm-nos dito que trabalham e vão ao encontro das exigências que lhes são feitas na aprendizagem do mandarim”, frisou.

No regresso a Leiria, no quarto ano do curso, os professores de chinês destacados na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais “ficam muito contentes por perceberem que houve uma evolução enorme nos dois anos que passaram na China e o trabalho que é feito já é de grande complexidade”.

No último ano os estudantes trabalham géneros textuais legais, administrativos, relacionados com a economia ou com a literatura “e conseguem atingir bons resultados”, manifestados, depois, nos estágios profissionais que se realizam no segundo semestre do quarto ano.

“Fazem tradução de chinês para português e, se lhes pedirem, também de português para chinês”, revela.

JLS // PJA – Lusa/Fim

Fotos: Estudantes durante uma aula de chinês, do Curso de Chinês na Escola Superior de Educação de Leiria, 20 de dezembro de 2014. (ACOMPANHA TEXTO). PAULO NOVAIS/LUSA

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