“Este ano teve uma cessação que esperamos seja transitória”, disse à agência Lusa o presidente do CRUP, António Rendas, na sequência de uma reunião dos reitores, em que foi tomada uma posição em defesa do prestígio do Ensino Superior português.

Neste momento, disse, face ao grande número de candidaturas para Portugal, foi dada aos estudantes brasileiros a justificação de que seria conveniente optarem por outros países para aprenderem uma segunda língua.

“Essa é uma razão que não é fundamentada porque o que estamos a fazer é qualificar as pessoas em termos académicos, por razões que não têm a ver com a língua”, defendeu.

Em causa está, segundo António Rendas, apenas uma das vertentes do programa, designada de “sanduiche”, que permite aos estudantes fazer a licenciatura, por fases, nos dois países.

O reitor, da Universidade Nova de Lisboa, afirmou que os estudantes que já estão a frequentar as instituições portuguesas vão continuar e que o problema se coloca para o próximo ano letivo.

“O CRUP espera que esta decisão seja revogada”, declarou.

Num texto que espelha a posição do CRUP lê-se que a decisão do Governo brasileiro “não apaga as razões por que muitos jovens brasileiros, de forma crescente, escolhem Portugal como destino para a formação académica a nível internacional”, lê-se num texto que marca a posição dos reitores.

O jornal O Estado de São Paulo revelou no primeiro trimestre do ano que a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) – entidade do Governo brasileiro e uma das gestoras do programa – enviou um e-mail a cerca de 9.700 alunos que pretendem estudar em Portugal indicando que poderiam mudar a sua candidatura para outros países, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.

O programa, criado pela Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e que oferece bolsas de estudo de graduação de pós-graduação fora do Brasil, além da captação de cientistas para o país – já enviou para Portugal 2.587 estudantes brasileiros.

A CAPES emitiu então um esclarecimento para dizer que o objetivo é “equilibrar a distribuição de bolsistas noutros países”.

Portugal é o segundo país que mais bolseiros brasileiros recebe ao abrigo deste programa (13 por cento), a seguir aos Estados Unidos, com 22 por cento.

Durante uma vista oficial a Portugal, em março, o ministro da Educação brasileiro, Aloizio Marcadante, afirmou que as universidades portuguesas são centros de excelência, rejeitando a polémica sobre o Brasil não querer enviar estudantes para as instituições supostamente “mais fracas” de Portugal.

A questão foi levantada pelo jornal brasileiro, segundo o qual os coordenadores do projeto estarão, na realidade, preocupados com o nível de ensino de várias universidades portuguesas, que seriam “mais fracas” do que as brasileiras, segundo rankings internacionais que avaliam o desempenho dos estabelecimentos de ensino superior.

AH (CSR) // GC. – Lusa/fim

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