O chefe da missão portuguesa nos Jogos da Lusofonia, a decorrerem em Goa até ao próximo dia 29, criticou hoje a organização, defendendo que há aspetos que “urge questionar”.

“A organização tinha, de facto, possibilidades porque gastou mundos. Fez uma cerimónia de apresentação lindíssima, como se viu, [mas] depois tem algumas coisas que urge questionar”, afirmou Artur Lopes, em declarações aos jornalistas, à margem de um jantar da comitiva lusa.

O responsável referiu que, tratando-se dos Jogos da Lusofonia, não se entende que a primeira língua não seja o português, com uma tradução em inglês: “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa. Eu bati o pé, acho mal, não estou nada satisfeito e, portanto, isso é bastante negativo”, realçou o responsável.

“Em paralelo, a própria organização, dada a cultura do povo – e temos que perceber que estamos na Índia, apesar de Goa ser, de longe, a zona, região, estado mais evoluído, mas, apesar de tudo, é a cultura da Índia: eles dizem que sim mas não sabem, nunca dizem que não, dizem que vão tratar mas esquecem-se. Eu suponho que nunca tenham enfartes do miocárdio? É necessário compreendermos tudo isto e a organização peca por isso”, disse Artur Lopes.

Para o chefe da missão portuguesa, os pavilhões novos, nos quais se investiu muito dinheiro, parecem utilizados há muito tempo, sujos e sem qualidade nos acabamentos.

Apesar dos problemas do foro organizacional – com os quais se depararam, de igual modo, os jornalistas -, Artur Lopes sublinhou a importância dos jogos, porque figuram como “uma maneira de o desporto ser o transportador da lusofonia, a qual não se esgota na língua, tradição, história ou costumes”.

“O que questiono são os custos dos jogos, a carestia. Tudo isto são muitos milhares de euros que se gastam para preparar esta situação, [pelo que] não sei se não será de repensar, com as forças políticas, uma junção com os jogos da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Há que passar por uma discussão, um estudo e por um aprofundamento de ideias porque os jogos da CPLP, por exemplo, são só até aos 16 anos e isso não nos interessa grandemente, portanto, temos de verificar para resolver o melhor possível”, afirmou, repetindo a ‘deixa’ do dia anterior do secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro.

Esta não é, contudo, uma questão nova em cima da mesa, explicou Artur Lopes. “Falou-se sempre desde a primeira hora”, apontou.

O responsável falava à margem de um jantar da comitiva no qual esteve presente também o secretário de Estado e o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, os quais endereçaram breves palavras aos atletas, mas apenas depois de se cantar os parabéns ao chefe da missão lusa pelo seu aniversário.

Um universo de 739 atletas compete em nove modalidades (atletismo, basquetebol, voleibol de praia, voleibol, futebol, ténis de mesa, judo, taekwondo e wushu) na 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia, depois de Lisboa (2009) e de Macau (2006).

DM // ROC – Lusa/Fim


IMAGEM: O dinâmico Jojo representa tudo essencialmente goes, uma atitude positiva, um cidadão global, um competidor feroz com um verdadeiro espírito de desportivismo. Ele tem sido uma parte integrante da história intemporal de Goa.

O galo é muito popular em Goa; encontrado principalmente em argila e outras formas de arte usado para armazenar água, em telhados, em carnavais, festivais e ainda encontra uma menção nas canções populares e folclóricas de Goa.


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