Coimbra, 02 dez (Lusa) – O especialista em literatura e professor catedrático Vitor Aguiar e Silva propôs hoje, em Coimbra, a criação de um cânone literário escolar para a língua portuguesa que mostre a diversidade da língua.

O professor de literatura propôs hoje que se criasse um “cânone literário escolar que mostre a portugueses, são-tomenses, guineenses, angolanos, timorenses, brasileiros, cabo-verdianos e moçambicanos a diversidade da língua portuguesa”.

Este cânone deveria mostrar “aquilo que floresceu” na literatura dos diferentes países de língua portuguesa e “as dinâmicas de cada literatura nacional”, afirmou Vitor Aguiar e Silva, que falava na conferência inaugural do congresso internacional “Língua Portuguesa: Uma Língua de Futuro”.

“Nessa ótica, o cânone literário escolar para a língua portuguesa não deve impor uma norma exclusiva e excludente”, frisou.

Esta seria uma forma de se dar “a conhecer os modos como os grandes escritores [dos diferentes países] trabalharam, se afeiçoaram e recriaram a língua portuguesa”, explanou, considerando que a divulgação dos autores dos diferentes países seria “fundamental para o sentimento de pertença a uma comunidade transnacional”.

Para o também membro da equipa responsável pela criação do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o cânone deveria ser criado “pelo Instituto Internacional de Língua Portuguesa, a partir de propostas de entidades nacionais escolhidas para o efeito”.

A iniciativa deveria ser aplicada no ensino secundário dos diferentes países e através de “antologias”, que devem “abarcar autores do século XX e XXI”, dando também relevo a autores do século XIX, como o português Eça de Queiroz ou o brasileiro Machado de Assis, referiu.

A proposta, admitiu, “é um desafio difícil, mas não é nenhuma fantasia, nem nenhuma máscara ou metamorfose do mito do Quinto Império [crença do padre António Vieira de que o quinto império seria o império português]”.

O congresso internacional reúne entre hoje e sexta-feira escritores, especialistas e investigadores dos diferentes países de língua portuguesa, que debatem no Convento de São Francisco, em Coimbra, a língua portuguesa como um idioma de futuro, abordando o ensino da língua portuguesa, a sua presença na era digital, o português como língua do conhecimento ou como língua literária.

O programa conta também com atividades culturais, como concertos, uma peça de teatro e a apresentação de um livro.

JYGA // EL – Lusa/FimCaptura de ecrã 2015-12-3, às 11.38.41

 

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