A presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua afirmou hoje ter sido abordada a possibilidade de criação de uma cátedra em língua portuguesa na Universidade de Goa, esperando ter ainda novidades ainda este ano.

“Vimos a possibilidade de criar uma área de investigação – uma cátedra em língua portuguesa – que possa estudar as relações entre o português e as línguas locais”, referiu Ana Paula Laborinho à agência Lusa, indicando que o assunto foi debatido pela primeira vez.

Para Ana Paula Laborinho, essa cátedra pode ser “um meio muito relevante para desenvolver a investigação, na medida em que a Universidade de Goa tem jovens professores que também estão a fazer carreira e importa desenvolver não só a investigação, mas [também a] direcionada para as questões linguísticas específicas do ensino em Goa e na Índia em geral”.

“Nós estamos na Universidade de Goa – a única que tem, neste momento, o programa completo de Estudos Portugueses e também mestrados e doutoramentos. A universidade – tive também oportunidade de reunir com o reitor [Satish Shetye] – está numa grande aposta: contratou mais professores para o departamento e, neste momento, tem inclusivamente alunos de outros estados visto que aqui é a única possibilidade de estudarem”, realçou a presidente do Camões.

Nesse sentido, “Goa pode ser uma importante plataforma para o ensino da língua portuguesa na Índia”, até porque, “os alunos – quase todos – são imediatamente contratados por companhias interessadas no seu domínio da língua portuguesa”.

Na manhã de hoje Ana Paula Laborinho reuniu-se com o responsável de uma das duas faculdades de Direito (Salgaocar College of Law, em Miramar) em Goa, onde o Direito Civil é de matriz portuguesa. “Por isso, a nossa colaboração em termos de formação na área – também como temos com o instituto de cooperação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa – é muito relevante pela especificidade”.

Na sexta-feira, encontrar-se-á com um dirigente do Paravatibai Chowgule College (Margão), entidade com a qual o Instituto também tem em vigor acordos, e, antes, assina um Protocolo de Cooperação com o Colégio de St. Xavier de Artes, Ciência e Comércio (Mapuçá).

O Camões também mantém com a Indo-Portuguese Friendship Society um “programa de formação na área do ensino secundário e até de uma oferta de cursos ao público em geral numa região vasta do estado (…), mais informal, mas que acaba por chegar a muitos”, o qual também foi analisado, realçou Ana Paula Laborinho, cuja visita coincide com a VI Semana da Cultura Indo-Portuguesa.

“Por enquanto, estes cursos são paralelos também por razões que se prendem com a formação de professores e a necessidade de termos mais e devidamente habilitados para este efeito”, afirmou.

“Temos de passar a mensagem que aprender português não se faz por razões de passado, mas por razões de presente e de futuro que encontram numa presença anterior da língua portuguesa aqui a plataforma ideal para desenvolver estes estudos”, rematou a presidente do Camões.

Atualmente, há aproximadamente 1.500 estudantes a aprender português em Goa, números considerados “escassos”.

Ana Paula Laborinho realçou que todos os contactos estabelecidos desde terça-feira “têm sido muito úteis”, destacando ainda os encontros com o ministro-chefe – também ministro do estado de Goa para a área da Educação –, Laxmikant Parsekar, em que foram analisadas possibilidades para uma “cooperação mais alargada e sólida”, e com o diretor-geral de Arte e Cultura e secretário executivo da Kala Academy – o mais relevante centro cultural de Goa –, Prasad Lolienkar.

DM // VM – Lusa/Fim

Fotos:

– Ana Paula Laborinho.

– Fachada do Arcebispado de Goa, a 31 de Janeiro de 1992. MANUEL MOURA / LUSA

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