4 March 2021
A associação Memórias e Gentes vai participar na recuperação do Parque da Gorongosa, em Moçambique, no âmbito de um projeto que inclui a criação de uma biblioteca com cerca de 12 mil livros, anunciou hoje o presidente da instituição.

Criação de biblioteca em português na Gorongosa, Moçambique

Maló de Abreu, presidente daquela organização não-governamental (ONG) com sede em Coimbra, disse à agência Lusa disse que a biblioteca de língua portuguesa será construída no Centro de Educação Comunitária da Gorongosa.

“Outra das iniciativas será a reabilitação, ainda para este ano, da referência maior do Parque Nacional da Gorongosa, a Casa dos Leões, abandonada desde as cheias de 1942, que sofreu nas últimas décadas uma degradação acentuada”, adiantou.

Para o efeito, o presidente da Memórias e Gentes assinou um “acordo de intervenção” com o multimilionário Greg Carr, presidente da Fundação Carr, “que se aliou ao governo de Moçambique para proteger e restaurar o ecossistema do Parque da Gorongosa e desenvolver um setor de ecoturismo que beneficie” as comunidades locais.

O filantropo norte-americano, que inventou o “voice mail”, pretende gastar cerca de 25 milhões de euros neste projeto.

Em 2008, a instituição criada por Greg Carr, agora designada Gorongosa Restoration Project, assinou com o governo de Maputo “um contrato de gestão conjunta” do parque pelo prazo de 20 anos.

Situado na província de Sofala, no centro da antiga colónia portuguesa, o Parque da Gorongosa tem uma área de cerca de 4.000 quilómetros quadrados onde já existiu “a maior densidade de animais” de África.

“Ali ocorreram dos mais encarniçados combates entre as tropas do governo da Frelimo e os guerrilheiros da Renamo, ao longo dos 16 anos de guerra civil que terminou em 1992, a que se juntaram a caça furtiva e a fome”, disse Maló de Abreu, recordando que “mais de 95% dos grandes mamíferos foram dizimados”.

A reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa “representa uma das grandes oportunidades de conservação no mundo de hoje”, salientou.

“A Gorongosa é uma região com grande diversidade de espécies e características ecológicas únicas”, assinalou Maló de Abreu.

A Memórias e Gentes e instituição liderada por Greg Carr preveem que a Casa dos Leões “esteja recuperada este ano” e a biblioteca “pronta e a funcionar no próximo ano”.

A associação humanitária de Coimbra “dinamizará um conjunto de parcerias para que tal seja possível” e vai colaborar “num conjunto de outros apoios”, acrescentou Maló de Abreu.

Os projetos de parceria serão apresentados na primeira semana de março, em Lisboa, numa reunião dos Amigos da Gorongosa.

A Casa dos Leões, construída em 1940 próximo do rio Mussicadzi, a 10 quilómetros do Chitengo, foi abandonada dois anos depois, devido às cheias.

Os leões apoderaram-se desses edifícios sem pessoas, que, com o tempo, passaram a ser conhecidos como Casa dos Leões.

 

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Lusa/Fim

Foto: Inauguração da exposição “Missão Gorongosa”, cujo objetivo é dar a conhecer o projeto de recuperação do Parque Nacional moçambicano, Matosinhos, 02 Agosto de 2012. ESTELA SILVA / LUSA

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