7 March 2021
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lança esta semana as sementes de um projeto que visa atenuar o desconhecimento que ainda existe sobre a organização, envolvendo alunos das escolas básicas dos oito Estados-membros.

CPLP lança programa nas escolas

O projeto CPLP nas Escolas “é um projeto bandeira da comunidade, que pretende levar às gerações mais jovens, de forma ainda um pouco lúdica, mas também com alguns aspetos bastante sérios, um conhecimento mais profundo sobre o que é a CPLP”, explicou hoje à Lusa o diretor de Cooperação da organização lusófona.

Criada em 1996 e abrangendo os oito países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), a CPLP é ainda pouco conhecida pelas populações dos Estados-membros, algo que o programa agora anunciado pretende combater.

A ideia surgiu já em 2009, para responder à constatação de que “nos níveis escolares havia ainda um relativo desconhecimento sobre a CPLP”, lembrou Lapão.

Numa fase piloto, o projeto abrangerá alunos de 12 e 13 anos de pelo menos 16 escolas, duas por Estado-membro, que começarão “a ouvir falar de matérias importantes da comunidade para que se tornem, quando crescerem, cidadãos um pouco mais conhecedores” da realidade da CPLP e do que ela representa.

“Há aspetos que nos unem, mas também há aspetos que nos afastam e o que se pretende é que cada escola envolvida transmita o que é a sua realidade específica” em matérias como direitos humanos, saúde e higiene básica escolar, língua portuguesa, matemática ou ambiente, “sempre numa lógica de educação para a cidadania e para o desenvolvimento”.

A unir as várias escolas haverá uma plataforma eletrónica, construída pela Universidade de Aveiro, e nela os alunos irão responder a desafios que a CPLP irá colocar, explicou Lapão.

Numa primeira fase, ainda em curso, a plataforma será municiada de informação genérica sobre os temas em causa (o que são direitos humanos ou higiene escolar) e numa segunda fase as crianças deverão identificar, nos seus contextos, como é que os interpretam, através de desenhos, pinturas murais ou canções, por exemplo.

Esses trabalhos serão colocados ‘online’ – a cada escola será entregue uma máquina fotográfica e de vídeo – e numa terceira fase os alunos comentarão e compararão as realidades das várias escolas.

Já esta semana, entre segunda e quarta-feira, começa em Lisboa uma ação de capacitação de responsáveis dos vários Ministérios da Educação, que depois replicarão a formação junto de professores das escolas selecionadas para que estes possam trabalhar com os alunos em causa.

“Vai tentar preparar-se tudo para começar no próximo ano letivo” o trabalho no terreno, explicou Manuel Lapão.

Para já financiado pela CPLP, o projeto conta com o alto patrocínio da Presidência da República de Portugal e tem o apoio diplomático dos restantes Estados-membros.

A CPLP espera agora que esta fase piloto “permita verificar a utilidade do instrumento e alargá-lo a outras escolas, já que a plataforma tanto serve 16 escolas como servirá 100”.

A longo prazo, o objetivo é alterar os curricula dos Estados-membros para que neles passe a constar a obrigação de ministrar matérias relacionadas com CPLP, algo que Manuel Lapão não espera que aconteça antes de 2016.

 

FPA // SB – Lusa/fim

Foto: Aluna e professora da Escola Básica de Vale Figueira, 08 de janeiro de 2014, São João da Talha. TIAGO PETINGA/LUSA

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