6 March 2021
Bandeira da OUA, Organização de Unidade Africana ou União Africana, em Bissau a 12 de Março de 2009. TIAGO PETINGA / LUSA

CPLP espera maior proximidade à União Africana com eventual eleição da Guiné Equatorial

Lisboa, 12 jun (Lusa) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa “não se pronunciou” sobre a candidatura do ministro das Relações Exteriores da Guiné Equatorial à União Africana, mas o secretário-executivo da organização espera que a eventual eleição possa aproximar as duas organizações.

O chefe da diplomacia da Guiné Equatorial, Agapito Mba Mokuy, é um dos três candidatos à presidência da Comissão da União Africana (UA), o cargo mais elevado da organização, que tem eleições previstas para julho, na próxima cimeira.

Em declarações à Lusa, o embaixador da Guiné Equatorial junto da CPLP, Tito Mba Ada, disse ter contactado os representantes dos restantes países africanos que fazem parte da comunidade lusófona no sentido de apoiarem a candidatura do ministro equato-guineense.

Esta é, sublinhou o diplomata, “uma candidatura da CPLP” e se o ministro Agapito Mba Mokuy for o próximo líder da União Africana, “ganha a CPLP”.

Contactado pela Lusa, o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, afirmou que a CPLP não tomou nenhuma posição sobre esta candidatura, recordando apenas que o ministro equato-guineense informou sobre a candidatura no Conselho de Ministros da organização, que decorreu em março em Lisboa.

Murade Murargy afirmou que os restantes países africanos na CPLP – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – podem pronunciar-se “a nível individual” ou no âmbito das suas organizações regionais – Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Portugal, Brasil ou Timor-Leste “não têm de se pronunciar”, referiu.

A candidatura “é importante para a CPLP, não há dúvida”, disse o secretário-executivo.

“Esperamos que possa contribuir para um estreitamento maior das relações entre a CPLP e a União Africana, sobretudo porque somos parceiros na questão da Guiné-Bissau, tal como as Nações Unidas, a União Europeia e a CEDEAO”, considerou Murargy.

Para o secretário-executivo, o governante equato-guineense, assumindo o cargo de topo da UA, “pode exercer alguma influência, determinante até, em relação à Guiné-Bissau ou noutros casos que possam envolver Estados-membros da CPLP”.

O chefe da diplomacia da Guiné Equatorial, país que aderiu à CPLP há dois anos, disputará a corrida à liderança da União Africana com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Botsuana, Pelonomi Venson-Moitoi, e a antiga vice-presidente do Uganda Specioza Wandira Kazibwe, que também pertence ao Comité de Sábios da UA.

O próximo líder da UA será eleitos na 27.ª assembleia de chefes de Estado e de Governo da UA, prevista entre os dias 10 e 18 de junho em Kingali, Ruanda, ocasião em que serão também designados o adjunto do presidente e os oitos comissários da Comissão.

A presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, anunciou em abril que não se candidatará a um segundo mandato e abandonará o cargo à frente da organização pan-africana em julho.

JH // PJA – Lusa/fim

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