1 March 2021
Para a embaixadora brasileira Eliana da Costa Puglia, o facto de os habitantes da ilha de Annobón (ou Ano Bom) falarem um “dialeto português” justifica a adesão da Guiné Equatorial à CPLP.

CPLP: embaixadora do Brasil a favor da adesão da Guiné Equatorial

Por ocasião da 3ª. Cimeira África-América do Sul (ASA) realizada recentemente em Sipopo [área nobre da capital do país, Malabo, na ilha de Bioko], a embaixadora do Brasil em Malabo, Eliana da Costa Puglia, disse que seria “uma causa justa” a adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Foi a partir da embaixada brasileira, aberta em 2005, em Malabo, no distrito de Caracolas, que a diplomata brasileira fez esta declaração por telefone, acrescentando que “o Brasil viu muito bem a adoção do português como a terceira Língua oficial” do país.

Para Eliana da Costa Puglia, o apoio do Brasil justifica-se pelo facto de que “há uma boa parte da população de Annobón que fala um dialeto português”.

As ilhas de Bioko, Corisco e Annobón, descobertas no século XV pelos navegadores portugueses, foram possessões portuguesas até 1777-1778, quando estes territórios foram cedidos à Espanha em troca de territórios atualmente do sul do Brasil.

Enquanto em Bioko e em Corisco, como no resto do país, o espanhol tornou-se a língua franca, a população de Annobón conservou um crioulo: o Fá d’Ambô. O número de falantes está entre 2.500 e 3.500, o que representa apenas 0, 5% do total de equato-guineenses. Além disso, o crioulo de Annobón, mesmo tendo uma base lexical do português, afastou-se da Língua devido ao isolamento da ilha e incorporou elementos de línguas africanas e do espanhol.

“É uma aposta certa de que em Malabo nenhum membro do governo fala o Fá d’Ambô. E mesmo se isso ocorresse, um ministro anobonense seria muito pressionado a dialogar em português com um brasileiro. O argumento linguístico, portanto, parece pouco convincente”, diz Arnaud D., especialista da atualidade africana.

–– Adesão à CPLP: uma longa caminhada ––
Eliana da Costa Puglia assegurou também que seu país estava em negociações com o Ministério da Educação Nacional da Guiné Equatorial com o fim de desenvolver o ensino da Língua Portuguesa nas escolas, adiantando que já havia “na embaixada um curso de Língua Portuguesa, com mais de duzentos alunos matriculados”. Ler o artigo completo.

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