Praia, 16 jul (Lusa) – A poucos dias da cimeira da CPLP na ilha do Sal, há em Cabo Verde quem veja o evento como “uma oportunidade” e quem lamente a falta de avanços concretos em questões como a mobilidade.

“Vejo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) mais no campo político. No campo social e cultural não está bem presente”, disse à Lusa Celestino Furtado, um canalizador de 40 anos que tem acompanhado o percurso da organização com interesse.

Sentado à sombra na praça Alexandre Albuquerque, no centro da cidade da Praia, este cabo-verdiano reconhece a importância de a cimeira se realizar no seu país, principalmente agora que a CPLP está a “afirmar-se cada vez mais no contexto mundial”.

Tendo em conta que se trata de um organismo que “comporta vários membros” e que “cada país tem os seus interesses”, este cidadão reconhece uma “necessidade de convergir os interesses de uma forma coletiva”.

“Cabo Verde certamente que terá expetativas, como cada país-membro”, disse, referindo que a questão mais premente é a mobilidade.

Trata-se de “uma questão polémica e que é uma necessidade”, afirmou, acrescentando: “Se se fala de um espaço comum, não deve ser só ao nível político, mas em outros campos”.

Entusiasmada com a realização da cimeira da CPLP em Cabo Verde, Clara Marques disse à Lusa que tem grandes expetativas com este evento.

“Estou a seguir as informações com grande entusiasmo e expetativa, principalmente porque Cabo Verde vai assumir a presidência da CPLP nos próximos dois anos”, disse.

Reformada, mas ainda a trabalhar na área da educação, Clara Marques considerou que “a mobilidade vai ser o prato forte” deste encontro.

“Este tema tem sido recorrente. Esperemos que a presidência de Cabo Verde consiga mais alguma coisa nesta temática”, disse.

Apesar de reconhecer “avanços interessantes” desde que a CPLP foi criada, em 1996, Clara Marques defendeu uma maior inter-relação e mais trocas de experiências entre os países.

Magui Frederico, uma avó cabo-verdiana que gostava de ser jornalista ou deputada, considera que a realização da cimeira da CPLP é um evento “muito importante”, principalmente porque vai ter lugar em Cabo Verde.

“A língua portuguesa é muito importante para unir os povos”, disse à Lusa, entusiasmada com a presença de tantos “ministros e presidentes” na ilha do Sal.

Natural da ilha do Maio, Magui Frederico garantiu que ouve falar da CPLP desde sempre, mas reconheceu que é difícil explicar o que significa.

A cimeira da CPLP realiza-se na terça e na quarta-feira, na ilha do Sal, e marca a passagem da presidência rotativa da organização do Brasil para Cabo Verde.

A presidência cabo-verdiana decorre nos próximos dois anos com o tema “Cultura, Pessoas e Oceanos”.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

SMM/RYPE // VM – Lusa/Fim
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