São Tomé, 22 dez (Lusa) – O presidente do governo regional do Príncipe, José Cassandra, considerou “legítima” e “um virar de página” a decisão do executivo são-tomense em cortar relações com Taiwan.

“Julgo que é legítimo o Governo central tomar a posição que tomou e estou convencido que o Governo, ao tomar essa decisão, acautelou os superiores interesses dos são-tomenses e de São Tomé e Príncipe”, disse José Cassandra a jornalistas.

“Estou convencido que é um virar de página e nós devemos saber a partir de agora assumir essa nova relação”, acrescentou o presidente do governo regional, sublinhando que essa decisão “era previsível”.

“Do meu ponto de vista, temos que reconhecer a coragem do Governo central em tomar essa posição, todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde essa decisão iria acontecer, só nos apanhou em contramão, mas estou convencido que é uma política acertada”, considerou Cassandra.

O responsável referiu que a China Popular é “uma potência” e que “todo o processo estratégico de desenvolvimento da África hoje tem passado pela China”, pelo que “São Tomé e Príncipe, como um Estado insular e pequeno, não podia ficar de fora”.

O líder do principal Partido da oposição são-tomense, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) disse, por seu lado, que Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada decidiu com esta rotura “corrigir um erro diplomático dos últimos 20 anos”.

“Constatamos que o Governo da ADI (Ação Democrática Independente no poder) corrige um erro na história diplomática dos últimos anos”, disse Aurélio Martins, lembrado que o atual primeiro-ministro, Patrice Trovoada “foi um dos protagonistas do estabelecimento das relações diplomáticas com Taiwan, enquanto conselheiro do seu pai, o então Presidente Miguel Trovoada”.

“O nosso partido, o MLSTP sempre defendeu e defende o princípio de existência de apenas uma única China que é a República Popular da China, onde mantém relações históricas de solidariedade e de cooperação fraternal com o Partido Comunista Chinês”, disse Aurélio Martins, em comunicado lido a jornalistas.

O Governo são-tomense anunciou na terça-feira o corte de relações diplomáticas com Taiwan, terminando assim a parceria estabelecida em 1997 e reconhecendo o princípio de “uma só China”, defendido por Pequim.

MYB // VM – Lusa/Fim
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