4 March 2021
O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang passa junto de um painel com bandeiras dos países da CPLP. Timor Leste, 23 de julho de 2014. PAULO NOVAIS/LUSA

Cônsul português diz que a CPLP é uma prioridade para a Guiné Equatorial

Lisboa, 19 fev (Lusa) – O cônsul honorário de Portugal na Guiné Equatorial afirma que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é “uma prioridade” para aquele país africano, onde nos últimos anos tem observado “uma evolução extraordinária” em termos sociais.

Dois anos depois da recomendação dos ministros de Negócios Estrangeiros dos então oito Estados da CPLP para a adesão da Guiné Equatorial, que viria a confirmar-se em julho de 2014, o cônsul honorário português diz que aquele país “quer ser muito pró-ativo” na relação com a comunidade lusófona.

“Uma das prioridades da Guiné Equatorial é as relações com os países da CPLP, com todos eles. Já havia relações comerciais fortes com Brasil, algumas com Portugal”, refere à Lusa Manuel Azevedo, empresário radicado na Guiné Equatorial desde 2008.

As autoridades de Malabo “têm participado em tudo o que é conferências da CPLP”, além de já terem nomeado um embaixador para a missão permanente junto da organização, adianta.

A nível de negócios, têm aumentado as relações com os países lusófonos, menciona Manuel Azevedo, que relata que, hoje em dia, “vai-se a um restaurante e se calhar a língua que se fala mais é o português”, devido ao elevado número de empresários de vários países de língua portuguesa, como Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique e também Portugal, que ali se encontram.

Sobre o ensino do português, o cônsul honorário garante que estão a ser criadas “condições e estruturas sólidas, não à velocidade que muita gente desejaria, mas as coisas estão a acontecer”. Uma das condições da adesão da Guiné Equatorial, era a promoção do uso da língua portuguesa, que foi declarada como terceira língua oficial do país, ao lado do espanhol (língua mais falada) e do francês.

Manuel Azevedo afirma que dentro de um ano “já será normal ter o ensino do português nas salas de aulas” e destaca o papel de Portugal neste trabalho, em particular do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, bem como a “boa vontade da Guiné Equatorial, que quer que o português seja ensinado”.

Por outro lado, estudantes universitários e funcionários governamentais têm ido estudar para Portugal, a maioria com bolsas do Governo equato-guineense.

Quanto à abolição da pena de morte, outra das condições impostas pela comunidade lusófona, Manuel Azevedo lembra que o Presidente, Teodoro Obiang Nguema (no poder desde 1979), fez um “decreto para abolir”, mas “falta só [a decisão] ser ratificada pelo parlamento” equato-guineense.

“Nunca mais ouvi falar em execuções na Guiné Equatorial e normalmente estas coisas comentam-se”, garante à Lusa, afirmando mesmo que naquele país se pode “falar de tudo”.

“Pode-se falar de tudo, as pessoas falam nas coisas. Se entrar num táxi na Guiné Equatorial, o taxista fala-lhe de tudo. As pessoas são livres, têm as suas regras, as suas restrições, mas cada vez mais há uma abertura maior para que a Guiné Equatorial se torne cada vez mais democrática”, diz, afirmando que todos usam as redes sociais “à vontade”.

Por outro lado, o cônsul honorário destaca que, nos últimos anos, houve uma “evolução extraordinária em termos sociais”, notando-se uma “preocupação cada vez maior” na saúde, no ensino e nas condições de vida da população.

Manuel Azevedo aponta a construção de hospitais em todas as capitais de província e de centros de saúde nas localidades mais pequenas e o investimento em barragens, aeroportos, energia e distribuição de água, além de estarem a ser entregues casas de habitação social.

Um dos maiores produtores de petróleo de África, a Guiné Equatorial é um dos países com maior PIB ‘per capita’ na África subsaariana, mas tem uma das mais elevadas taxas de pobreza e deverá manter-se em recessão neste e no próximo ano.

“Quando cheguei vi esse fosso [entre uma classe muito rica e a grande maioria da população, muito pobre]. Era real. Hoje em dia está cada vez mais diluído”, assegura Manuel Azevedo, que garante que as mudanças começaram a sentir-se ainda antes da adesão à CPLP.

JH // EL – Lusa/fim

 

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