O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado declarou hoje, em Lisboa, que o sucesso da política externa de um país depende de que haja uma boa política interna, acrescentando que Portugal está a recuperar economicamente.

“A política externa exige uma boa política interna. Isso quer dizer que se não tivermos um país arrumado, se não tivermos um país com uma imagem perante o mundo de capacidade de governo, de estabilidade, de confiança, um país capaz de gerar riqueza, a imagem externa do país e a ação política externa no quotidiano da vida internacional são profundamente condicionadas”, disse Luís Amado.

O ex-ministro, que chefiou a diplomacia portuguesa (2006/2009) no último governo do primeiro-ministro socialista José Sócrates, fez estas declarações durante a Conferência “Português: língua de oportunidades”, organizada no âmbito dos 150 anos do Diário de Notícias, em que participou com o vice-primeiro-ministro Paulo Portas.

“Eu acho que o país, não tenho nenhum preconceito de dizer, que acho que o país tem estado a recuperar do ponto de vista económico, tem beneficiado da mudança no processo político europeu. Sem dúvida a Europa começa a dar sinais de recuperação económica, a forma como a crise grega está a ser gerida traz confiança e uma capacidade de gestão dos problemas da zona euro, que ainda são muitos, que nos dão confiança a todos nós”, avaliou.

Segundo Amado, “a economia portuguesa vai crescer um pouco mais do que era previsível no início do ano” e que se houver um entendimento entre os vários atores políticos, nos vários domínios, o país poderá criar um modelo de inserção internacional neste mundo globalizado.

“Sempre entendi que o país precisava reequilibrar uma excessiva dinâmica de aprofundamento de relações com a União Europeia (UE) com a atenção particular, do ponto de vista estratégico, às relações com o espaço da lusofonia, em particular com os países de expressão portuguesa”, avaliou.

Segundo o ex-ministro, “Portugal tem hoje uma referência história em todas as partes do mundo. Tenho sublinhado é o seu principal capital, o seu principal ativo estratégico, que tem que utilizar na inserção na globalização através da (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por via das relações preferenciais que tem com os países de língua portuguesa”.

Entretanto, falta a Portugal “um conceito estratégico nacional que vincule mais determinantemente os atores e os responsáveis políticos a este conceito”.

Já Paulo Portas declarou que “no século XXI, a diplomacia económica tem uma maior preponderância”.

“A nossa dependência dos mercados tradicionais continua a ser dos mais fortes, Espanha, Alemanha, França, mas foi reduzida sensivelmente em relação aos mercados não europeus”, indicou.

No que toca à Lusofonia, segundo o vice-primeiro-ministro, entre 2010 e 2014, Portugal aumentou as exportações para este mercado, passando de 2.800 milhões para 4.500 milhões de euros.

“O mercado angolano e as relações políticas e económicas entre Angola e Portugal são absolutamente determinantes”, indicou ainda Portas, acrescentando que Moçambique é também um mercado em crescimento, com enorme potencial com as riquezas naturais, que poderá vir a ser um sucesso em África.

Paulo Portas referiu que Portugal e Brasil, pertencendo à CPLP, podem, por exemplo, ajudar a desbloquear as negociações entre a União Europeia e o Mercosul.

O acesso aos mercados tanto da América Latina, através do Brasil, e da Europa, através de Portugal, podem beneficiar a todos os envolvidos nestas relações económicas, segundo os intervenientes, acrescentando que a Língua é um fator unificador, mas que não pode ser limitador da expansão da CPLP.

CSR // EL – Lusa/fim

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