Num documento publicado recentemente, este “centro de reflexão e estudo” reestrutura o desenvolvimento do ensino do português em França em três eixos: uma rede de centros de ensino reconhecidos por Portugal e França, assegurada por associações portuguesas com professores qualificados; a afirmação do português enquanto “língua viva” à disposição dos alunos franceses não lusófonos na escola primária, no colégio e no liceu; e a criação de um “Liceu Lusófono Internacional” e de um “Centro Cultural Lusófono” em Paris.

Para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, “são bem-vindas todas as iniciativas que visem alargar o número de falantes de português e consolidar as aprendizagens da língua”.

Admitindo que este possa ser “um projeto com muito interesse, a prazo”, o governante diz, contudo, que a proposta necessita de ser analisada, “quer em termos financeiros, quer em termos pedagógicos”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Confraria, Roger Carvalho, defende que, “se o ensino da língua portuguesa em França estivesse mais bem organizado, Portugal teria mais força para impor o seu idioma no sistema de ensino francês”.

“Muitos lusodescendentes passam por um complexo conjunto de burocracias para conseguirem que as suas notas de língua portuguesa tenham uma ponderação equivalente à de outras línguas estrangeiras na média final de secundário (Bacalaureato)”, explica.

É preciso, defende, “simplificar este processo” e “dar aos lusodescendentes argumentos para que escolham aprender português, em vez de quase castigá-los porque decidiram aprender essa língua”.

A Confraria propõe, assim, que “a dispersão de associações que ensinam língua portuguesa a lusodescendentes” dê lugar a uma rede de centros de ensino que agrupem mais alunos – “para poderem, por exemplo, ter mais poder para negociar instalações com as autarquias” – e que obedeçam às regras de um “selo de qualidade” atribuído por Portugal e reconhecido pela França (‘écoles conventionnées reconnues’), incluindo a contratação de “professores qualificados do sistema português”.

Além disso, defende o documento, a língua portuguesa deve ser proposta, como o inglês, o espanhol ou o alemão, como “língua viva, no quadro das regras definidas para o efeito pelo Ministério da Educação francês”.

Para a Confraria dos Financeiros, esta reestruturação não implica um aumento dos custos que o Estado português tem com o ensino da língua em França: “Os pais dos alunos seriam chamados a cofinanciar os cursos, e creio que ninguém se opõe a pagar por um ensino estruturado e útil. Os portugueses deveriam enviar menos remessas para Portugal e financiar as aulas de português”, argumenta Roger Carvalho.

Quanto ao financiamento do “Liceu Lusófono Internacional” e de um “Centro Cultural Lusófono”, a Confraria pensa que os restantes países da lusofonia devem ser chamados a participar.

A Confraria dos Financeiros de Paris foi criada em 2008 e tem mais de 250 membros. Desde julho de 2011 que funciona como “centro de reflexão e estudo” para analisar e discutir temas relacionados com Portugal e com o espaço lusófono.

JYF // VM.

Lusa/Fim

Foto: LUSA – Manifestação do Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro, Paris. 14 de janeiro de 2012. REMY-PIERRE RIBIERE/LUSA

Partilhar