Março 10, 2022

As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, vão acolher a Conferência dos Oceanos da ONU em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022.

A conferência é um apelo à ação pelos oceanos – exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentar a ambição, a mobilizar parcerias e aumentar o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos. O processo inclusivo também pedirá às comunidades, empresas e indivíduos que desempenhem o seu papel para conter a poluição marinha e se comprometam com o consumo responsável dos recursos oceânicos.

A conferência tem lugar num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procurará impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras baseadas na ciência, destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos.

As soluções para um oceano gerido de forma sustentável envolvem tecnologia verde e usos inovadores dos recursos marinhos. Incluem também as ameaças à saúde, à ecologia, à economia e à governação dos oceanos – acidificação, lixo marinho e poluição, pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, e a perda de habitats e biodiversidade.

Os oceanos desempenham um papel crítico e vital na proteção da saúde do nosso planeta. Fornecem oxigénio e alimentos, controlam o clima, absorvem o excesso de emissões de carbono e ajudam a mitigar os impactos das alterações climáticas.

A resistência e resiliência dos oceanos não são infinitas. Não devemos continuar a assumir que os oceanos podem perpetuar a absorção dos efeitos da atividade humana, indefinidamente, ao mesmo tempo que continuam a providenciar os seus benefícios vitais.

Os oceanos estão em apuros. Estão a aquecer, a subir e a acidificar – mudanças que estão a limitar drasticamente a sua capacidade de sustentar a vida debaixo de água e em terra. São necessários cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa para limitar e reverter o declínio da saúde dos oceanos.

Embora em risco, os oceanos também são fundamentais para reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa e estabilizar o clima da Terra. A ação climática baseada nos oceanos, apoiada por vontade política e investimento em tecnologia, permitirá que os oceanos se tornem o nosso maior aliado na luta contra as alterações climáticas.

Perguntas frequentes

P: Porque necessitamos de uma grande conferência sobre os oceanos e porque me devo preocupar com os oceanos?

R: Os oceanos são importantes para todos, mesmo para quem não vive perto das zonas costeiras. Milhares de milhões de pessoas dependem dos oceanos para obter a sua principal fonte de proteína e milhões de outras tiram o seu sustento dos mares. Atividades económicas importantes, tais como o turismo e o comércio, dependem de um oceano saudável. Os oceanos são o principal regulador do clima global. Fornecem metade do oxigénio que respiramos e absorvem um terço do dióxido de carbono que produzimos.

Também somos importantes para os oceanos e podemos desempenhar um papel preponderante na proteção da sua saúde e sustentabilidade.

As alterações climáticas, por exemplo, continuam a levar, entre outros, à subida do nível do mar e ao aumento de eventos climáticos extremos que ameaçam diretamente a vida das comunidades costeiras, especialmente nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.

A próxima Conferência dos Oceanos desempenhará um papel importante na implementação de um novo capítulo sobre a ação para os oceanos – impulsionada pela ciência, tecnologia e inovação. Também enfatizará a necessidade de aproveitar soluções baseadas na natureza, incluindo mangais, pântanos salgados e ervas marinhas que historicamente são conhecidas por terem um grande potencial de mitigação.

A primeira Conferência dos Oceanos, que teve lugar em Nova York em junho de 2017, mostrou ao mundo a situação dos nossos oceanos e o impacto das atividades humanas. Sabemos que há mudanças generalizadas a acontecerem debaixo da água.

Também sabemos que não é uma situação sem retorno; existem soluções para reverter os danos e permitir que os oceanos se curem. A Conferência dos Oceanos deste ano reunirá líderes mundiais, cientistas, comunidade empresarial, agentes de mudança e ativistas que irão unir forças para inspirar, criar e investir em soluções.

A Conferência espera que todos os que possam fazer a diferença avancem e façam as mudanças necessárias para transformar as suas políticas, negócios e estilos de vida em algo mais sustentável, menos prejudicial e menos explorador.

P: Porquê o foco urgente nos oceanos num mundo assolado por doenças, tensões políticas, conflitos e problemas económicos?

R: A saúde humana, a prosperidade económica e um clima estável dependem de oceanos saudáveis. A ação imediata para resolver os problemas dos oceanos irá promover o desenvolvimento sustentável, que é fundamental para um mundo mais igualitário, pacífico e saudável.

Basicamente, a resposta resumida é que os problemas dos oceanos significam problemas para as pessoas. Oceanos saudáveis significam um planeta saudável – que pode proteger e sustentar melhor todos os seres vivos que deles dependem.

P: Espera-se algum resultado ou compromisso concretos?

R: Há vários resultados, incluindo três essenciais, que se esperam da Conferência dos Oceanos. Os copresidentes da Conferência, os governos de Portugal e do Quénia, apresentarão um relatório sobre os resultados da Conferência.

Os Estados-membros adotarão uma declaração para implementar e facilitar a proteção e a conservação do oceano e dos seus recursos.

Também esperamos que os representantes dos governos, das empresas e da sociedade civil, assumam, voluntariamente, compromissos concretos e realistas para abordar as várias questões relacionadas com os oceanos que afetam as suas comunidades, os seus países e outros.

Os oito diálogos temáticos, designadamente sobre a poluição marinha, a acidificação dos oceanos, a desoxigenação e aquecimento, a pesca sustentável e outras economias oceânicas, o conhecimento científico e a tecnologia marinha, analisarão as oportunidades e os desafios com a ambição de promover compromissos e ações sobre um espetro alargado de questões relacionadas com os oceanos. É esperado um relatório dos agentes relevantes no final da Conferência.

P: A reciclagem vai realmente ajudar a reduzir a poluição plástica nos oceanos?

R: Sim. Como 60 a 90% do lixo marinho é composto de diferentes polímeros plásticos, uma das principais soluções para lidar com a poluição marinha nos nossos oceanos seria reduzir a nossa pegada de plástico, inclusive através de esforços para reutilizar e reciclar todo o plástico em vez de o descartar após uma utilização, bem como implementar uma melhor recolha de resíduos nas nossas costas.

Fonte: Nações Unidas

Veja:

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