A missão de um professor de Português é cada vez mais difícil, na medida em que as dificuldades têm vindo a agravar-se e o número de alunos por turma dificulta o ensino individualizado.

Assim, são, muitas vezes, os pais que procuram ajudar os filhos a ultrapassar dificuldades residuais, embora tenham pouco tempo para o fazer devido às exigências profissionais dos dias de hoje.

Então, como poderão ajudar os filhos, sendo as matérias tão diferentes daquelas que aprenderam?

Em primeiro lugar, é preciso tomar consciência de que, ao nível da Língua Portuguesa, tudo passa pela leitura. De facto, a leitura é o melhor exercício para desenvolver a compreensão e a expressão, pois consolida e esclarece estruturas linguísticas, enriquecendo o vocabulário e desenvolvendo as diferentes competências. Deste modo, é fundamental que os pais sensibilizem os filhos para a sua importância.

Todos sabemos que esse hábito é cada vez menor devido à existência de outros entretenimentos que desviam os jovens dos livros. O que fazer quando um filho nos diz que não gosta de ler? Talvez fazer ‘programas’ que passem por uma ida à biblioteca ou a uma livraria. Aí, o jovem poderá escolher os livros, apreciar as capas, ler algumas páginas e, quem sabe, isso lhe desperte o gosto pela leitura.

Quanto aos mais novos, essa tarefa é mais simples e começa quando o pai ou a mãe criam o hábito de ler uma história em voz alta ao filho Além disso, quando a criança vê os pais a ler habitualmente, terá a tendência para os imitar.

Porém, há crianças e jovens que têm dificuldades gráficas que impedem a compreensão e a expressão escritas, nomeadamente, a pontuação, a acentuação, a ortografia. Quanto mais cedo se trabalhar estas competências, mais fácil será para o aluno as dominar. Então, sugerimos uma exercitação sistemática a esse nível. Existem alguns livros no mercado com exercícios desse tipo e com soluções que serão, certamente, uma boa forma de os pais acompanharem o estudo dos filhos. Na verdade, são as dificuldades mais primárias que podem causar mais transtornos, retirando até o prazer da leitura.

Se as dificuldades forem de índole gramatical (pronominalização, concordância do sujeito com o predicado, tempos verbais), aconselhamos igualmente a realização de exercícios de forma sistemática, de modo a facilitar a interiorização das regras inerentes à correção linguística.

Quando o jovem tem dificuldades em elaborar textos coesos, coerentes e com lógica discursiva, é muito importante que faça uma planificação inicial dos mesmos. Essa esquematização ajudá-lo-á a organizar as ideias e a expô-las corretamente.

Dominar a língua portuguesa é um dos factores de sucesso na aprendizagem, uma vez que se trata de uma disciplina transversal. Por isso, há que investir nessa área, utilizando todos os recursos referidos.

Pais e professores poderão aliar-se nessa missão, contribuindo, em sintonia, para melhores alunos e uma melhor escola pública.

Lúcia Vaz Pedro

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