3 March 2021
As comemorações dos 800 anos do português, celebrados em 2014, chegaram a Macau, no âmbito das atividades promovidas pela Associação 8 Séculos de Língua Portuguesa, que organizou hoje uma palestra para alunos do ensino secundário.

Comemorações dos oito séculos de língua portuguesa chegam a Macau

Perante uma audiência de alunos do 11.º ano da Escola Portuguesa de Macau (EPM), Maria José Maya, presidente da associação criada em 2012 para promover o idioma, falou da importância e da história da língua portuguesa, da sua evolução a partir do latim e da influência do grego, até aos dias de hoje.

“É bom sabermos de onde a língua, vem mas é extraordinariamente importante perceber o momento em que estamos”, salientou, justificando o lema das comemorações, iniciadas a 05 de maio de 2014, “A língua portuguesa é o som presente d’esse mar futuro”, emprestado de um verso de Fernando Pessoa.

Até 10 de junho deste ano, a associação vai continuar a promover iniciativas em Portugal e noutros territórios com presença do idioma. Os 800 anos daquele que é considerado o primeiro documento escrito em português – o testamento de D. Afonso II, de 27 de junho de 1214 – foram o mote para atividades de promoção da língua envolvendo os vários países e regiões ligados à lusofonia, explicou Maria José Maya.

A associação juntou outra efeméride a estas comemorações: os 400 anos da publicação da “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto, em 1614.

Foram várias, então, as atividades já assinaladas, entre emissões filatélicas, lançamento de medalhas, exposições, colóquios e tertúlias, como a que decorreu hoje na EPM.

No final da sessão, Maria José Maya revelou uma carta que os alunos da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto escreveram para os alunos da EPM. “Separam-nos oito horas mas une-nos Camões”, escreveram os estudantes do 12.º ano.

Fazendo referência ao uso de pauzinhos, ao hábito de beber chá e à “maravilhosa simbiose entre a cultura portuguesa e chinesa” que acreditam existir em Macau, os alunos de Almada pediram, no fim, uma resposta à sua carta.

“Eles não sabem que apanhando o transporte público, as paragens são ditas em português. Podem contar-lhes, é uma maneira de construir pontes”, aconselhou Maria José Maya.

Em declarações à agência Lusa, no final da sessão, a professora sublinhou o seu agrado com a presença da língua portuguesa em Macau, onde não vinha desde 1999, não só em autocarros como em sinais na rua e nos nomes dos estabelecimentos.

No entanto, admitiu que “na rua [o uso do português] é inferior ao esperado”, afirmando que gostaria de ver a língua “mais difundida”.

Ainda assim, elogiou o número elevado de instituições que oferecem cursos de português e sublinhou o interesse da associação em cooperar com Macau para atividades de promoção da língua.

Maria José Maya

“Vão continuar as parcerias e vão surgir novos projetos sempre com o objetivo de contribuir para promover a língua portuguesa – divulgação de autores, divulgação das culturas dos países de língua oficial portuguesa. Macau estará sempre inserido nestes projetos”, garantiu.

ISG // VM – Lusa/Fim

Foto: MACAU – Escola Portuguesa de Macau,  14/11/2003,  MANUEL MOURA/LUSA

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