O poeta Luís de Camões (que dá o nome ao Instituto que, em Portugal, pugna pela defesa internacional da língua portuguesa) falou de astronomia n’Os Lusíadas, apresentando o sistema ptolemaico. E Álvaro de Campos, o heterónimo do poeta Fernando Pessoa mais seduzido pelo poder da técnica, chamou a atenção para as semelhanças entre arte e ciência.
O Português começou a ser língua de ciência quando a ciência moderna despontou, nomeadamente nos séculos XV e XVI. Foi nessa mesma época que os Portugueses empreenderam os descobrimentos marítimos. Foram precisas ciência e tecnologia para descobrir os caminhos do Oriente. A ciência foi precisa para orientar os barcos pelos astros no alto mar. E a técnica foi precisa para aperfeiçoar o barco mais usado – a caravela – e para levar a bordo instrumentos que permitiam a localização no mar – o astrolábio.
Talvez o maior cientista português de todos os tempos tenha sido Pedro Nunes, o matemático e “cosmógrafo-mor” do rei D. João III, que, no século XVI, viveu na Universidade de Coimbra, uma das universidades mais antigas da Europa já que foi fundada no final do século XIII (há um grupo das mais antigas universidades do mundo, que inclui a de Praga, e que se intitula “grupo de Coimbra”).

(…)

Um navegador português do tempo de Pedro Nunes que prestou contribuições fundamentais para a cartografia e para a ciência foi D. João de Castro, fidalgo que chegou a Vice-Governador da Índia. Escreveu em Português três célebres Roteiros da Índia, um dos quais se encontra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Descreveu também o desvio da agulha da bússola em certos sítios da costa onde havia metais, como o cabo das Agulhas em África. O seu nome está hoje perpetuado no Banco de João de Castro, um vulcão submarino nos Açores que no século XVIII originou uma ilha temporária.

(…)

Outro famoso cientista português que escreveu em Português no tempo dos Descobrimentos foi o médico e botânico Garcia da Orta. O seu Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia (1563), escrito na língua nacional, é o primeiro tratado de medicina tropical, não admirando por isso que tenha alcançado uma forte repercussão na Europa. Os Colóquios foram rapidamente traduzidos para Castelhano e para Francês. O autor descreve neles espécies botânicas desconhecidas do Ocidente e as suas aplicações farmacológicas. Descreve também pela primeira vez a cólera e outras doenças tropicais. Orta era também um cristão-novo: a sua família foi perseguida pela Inquisição de Goa e ele próprio foi queimado depois de morto.

(…)

Alguns cientistas dessa época do Iluminismo que escreveram artigos em Português foram os matemáticos Anastácio da Cunha (que, curiosamente, também foi poeta) e José Monteiro da Rocha (um padre jesuíta que estudou no Brasil antes de se tornar professor em Coimbra), o médico Jacob de Castro Sarmento (um exilado em Londres, de origem judaica, que foi o primeiro tradutor de Newton para Português), os físicosTeodoro de Almeida (um padre oratoriano, que ensinou na Casa das Necessidades, onde hoje é o Ministério dos Negócios Estrangeiros, antes de se ver obrigado a exilar para Espanha e França) e Giovanni de Dalla Bella (um professor italiano de Pádua que foi colocado em Coimbra pelo Marquês de Pombal depois de ter ensinado no Colégio dos Nobres em Lisboa, onde hoje é o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa). Sarmento e Almeida foram “estrangeirados”, nome dado aos portugueses cultos que foram obrigados a fixar-se fora do país devido a perseguições internas, mas que conservaram uma ligação a Portugal.

Recordemos alguns dos nomes mais importantes da ciência portuguesa:

As obras dos dois irmãos Lobo Antunes mostram bem como o Português, que é falado por mais de 270 milhões de pessoas, é uma grande língua tanto de literatura como de ciência… Ler mais »

Consulte:

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar