2 March 2021
A produção artística portuguesa, em particular a de Lisboa, estará em destaque em junho, em Paris, no programa "Chantiers d'Europe", organizado pelo encenador Emmanuel Demarcy-Mota, abrindo no dia 05 com a fadista Carminho.

“Chantiers d’Europe”, a nova produção cultural portuguesa em Paris

O quarto programa “Chantiers d’Europe”, anunciado ontem em Lisboa, com organização do Théâtre de la Ville, dirigido por Demarcy-Mota, é dedicado à relação cultural entre Lisboa e Paris e levará à capital francesa 60 artistas portugueses da música, teatro, dança, cinema e literatura.

Numa conferência de imprensa, Emmanuel Demarcy-Mota afirmou que o programa evidencia a “relação política, cultural, artística, com muitas afeições e amizade” entre Portugal e França, entre Lisboa e Paris.

Para o encenador luso-francês, é preciso que haja uma vontade política “e uma política cultural” que permita “desenvolver relações para os artistas hoje e amanhã”, numa “situação global de crise económica, de depreciação das coisas”.

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, por seu lado, entende que este programa demonstra que Portugal tem “coisas para exportar para além do têxtil, do calçado, do tomate e do pastel de nata”. “É o conhecimento, as ideias, projetos, a criatividade”.

“É bom que possamos levar também a Paris aquilo que é a nossa produção cultural contemporânea. Se isso é bom para a Europa é particularmente bom para os portugueses. Perceber que há públicos para lá das nossas fronteiras, que têm interesse em saber o que se passa em Portugal”, disse.

Em Paris, o “Chantiers d’Europe” decorrerá em cerca de uma dezena de espaços culturais, em particular no Théâtre de La Ville.

No teatro, foram convidados o Teatro Praga, com os espetáculos “Eurovision” e “Discotheater”, e a encenadora e atriz Mónica Calle, com “A virgem doida”.

Serão ainda apresentadas a peça “Três dedos abaixo do joelho”, de Tiago Rodrigues, e o espetáculo “What I heard about the world”, da Mala Voadora.

Na dança, marcarão presença Sofia Dias e Vítor Roriz, com “A gesture that is nothing but a threat”, e o coletivo Bomba Suicida.

As cantoras Carminho, Lula Pena e Mísia serão algumas das convidadas na música, área que incluirá ainda uma “grande jornada da lusofonia”, a 29 de junho, no Parc Montsours.

Apesar de, no dia 03 de junho, ser apresentado o espetáculo “Catabrisa”, de Joana Providência, Eugénio Roda e Gémeo Luís, a abertura oficial do programa está marcada para o dia 05, com um concerto da fadista Carminho.

Filmes de João Salaviza, Marco Martins, João Botelho, Miguel Gomes e João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata serão exibidos na vertente do cinema.

Haverá ainda leitura de textos de António Lobo Antunes, Jacinto Lucas Pires, José Maria Vieira Mendes e André Murraças.

O programa, que Demarcy-Mota dedica ao encenador Joaquim Benite, que morreu em dezembro, assinala os 15 anos do Acordo de Amizade e Cooperação Paris-Lisboa.

Depois do verão, será a vez de Lisboa acolher uma programação sobre Paris, com o Festival de Outono que incluirá, por exemplo, a estreia mundial, em setembro, de um espetáculo do Théâtre du Soleil, com a atriz Ariane Mnouchkine, uma exposição de fotografia e a Festa do Cinema Francês.

SS // MAG – Lusa/Fim

Foto: ensaio do espetáculo “A Virgem Doida” com interpretação e encenação de Mónica Calle, em Mora. Foto de Bruno Simão, vencedor na categoria de Arte e Espetáculos dos prémios de fotojornalismo Estação Imagem Mora 2013.

 

 

Lula Pena, Rua do Capelão


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