Caracas, 30 out (Lusa) – O Centro Português de Caracas (CPC), na Venezuela, atraiu este ano um número recorde de 550 alunos, mas enfrenta dificuldades financeiras e pede apoio às autoridades portuguesas, tanto para a formação de professores como para a manutenção do espaço.

“Nos últimos tempos temos tido um crescimento em relação à inscrição de novos alunos. Começámos, há poucos anos, com 200 alunos e este ano batemos o recorde, temos 550 inscritos”, disse à Agência Lusa o presidente do CPC.

Gil Andrade sublinhou, no entanto, que a promoção da língua portuguesa tem custos elevados para o centro, quer a nível de formação de professores, quer da manutenção das próprias instalações.

“Faço um apelo às nossas autoridades, que nos ouvem em Portugal, para que nos apoiem, tanto com a formação de professores, como economicamente, porque isto tem um custo enorme. Ter instalações ótimas envolve um custo [elevado]”, disse.

O presidente do CPC explicou ainda que “os alunos pagam uma mensalidade, que não é suficiente para cobrir os gastos” e são os próprios alunos que têm que custear a compra dos livros, que “o Instituto Camões apoia, mas não completamente”.

“Olhem para esta instituição, apoiem-nos porque temos um papel importante na divulgação da cultura, dos valores e da língua de Camões”, apelou.

Gil Andrade justificou o aumento da procura de aulas de português com o “cada vez maior interesse dos lusodescendentes em aprender a língua dos pais”. Há também “muitos casos” de alunos de outras nacionalidades interessados no idioma e na cultura portuguesa, explicou.

“Há muitos venezuelanos que, devido à importância do português no mundo, sentem esse interesse. Também pela convivência entre portugueses e venezuelanos. Eles gostam [dos portugueses] e querem saber, muitas vezes, o que os portugueses estão a dizer”, afirmou.

Por outro lado, salientou também a ligação da Venezuela com o Brasil e o Mercosul.

“Sentem esse interesse, sabendo a importância que pode ter, no futuro, essa ligação, e o poder falar português com os nossos irmãos brasileiros”, disse, sublinhando que “a comunidade portuguesa tem um vínculo muito importante com os venezuelanos”.

As aulas de língua portuguesa no CPC têm quatro níveis: iniciação, intermédio, avançado e conversação, cada um dividido em dois semestres.

Por outro lado há cursos para crianças a partir dos sete anos, que depois de quatro anos de estudos passam para a educação juvenil, sendo grátis até aos 11 anos.

Ao concluir o segundo ano de estudos os adultos podem candidatar-se ao exame da Universidade de Lisboa, para obter o Certificado de Iniciação de Língua Portuguesa (CIPLE).

Mais tarde podem ainda candidatar-se ao Diploma Elementar de Português Língua Estrangeira (DEPLE).

FPG//ISG – Lusa/Fim
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